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Em discurso perante o Comitê Financeiro e Monetário do fundo, o ministro também pediu que economias avançadas adotem medidas de "estímulo" para ajudar a demanda global e reequilíbrar a zona do euro

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou neste sábado a "reticência" dos países europeus em revisar o sistema de cotas (poder de voto) do Fundo Monetário Internacional (FMI) e afirmou que o "equilíbrio atual é profundamente prejudicial para a credibilidade" da instituição.

Como exemplo, Mantega ressaltou que a cota de Luxemburgo é superior às de Argentina e África do Sul, e que a da Bélgica é maior que as de Indonésia e Nigéria. Países como Brasil, China, Rússia e Índia insistiram em seguir avançando nas reformas da redistribuição de cotas do FMI para que reflita adequadamente o peso relativo dos membros na economia global.

Guido Mantega participa do encontro anual do FMI em Washington, nos EUA
Getty Images
Guido Mantega participa do encontro anual do FMI em Washington, nos EUA
"A reticência de alguns países em aplicar os acordos de reforma integral da fórmula do sistema de cotas é profundamente danoso à instituição e à própria credibilidade destes países", afirmou em seu discurso perante o Comitê Financeiro e Monetário do FMI.

O ministro insistiu em seus apelos sobre a necessidade avançar no "lento e limitado" processo de reformas que deve ser concluído para a próxima reunião anual do FMI, em Tóquio, em outubro deste ano, para poder passar a uma modificação mais ampla em 2013. "Se repete frequentemente que as reformas nas cotas são cruciais para a legitimidade e efetividade do fundo. O mero ritual de repetição deste tipo de declarações não é suficiente", declarou.

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Mantega também mostrou sua preocupação pela consolidação fiscal em muitas economias avançadas. Neste sentido, ele pediu a países com "espaço fiscal", como a Alemanha e os do norte da Europa, a adotarem medidas de "estímulo" que "ajudariam não só à demanda global, como também facilitariam o reequilíbrio dentro da zona do euro".

O ministro atacou, além disso, as políticas monetárias "ultraexpansivas" por parte de países ricos que afetam os mercados emergentes. Mantega reiterou que o governo brasileiro continuará aplicando as medidas que "julgar necessário" para conter os fluxos excessivos e voláteis de capital com políticas macroprudenciais e controles de capital.

"O Brasil se opõe a qualquer código de conduta ou diretriz internacional que tente constranger as respostas políticas destes mercados emergentes", concluiu.

Durante seu discurso, Mantega não se referiu à ampliação de capital de US$ 430 bilhões para o FMI, aprovada ontem pelo G20. Antes, em um encontro com jornalistas após a reunião do Fundo e do Banco Mundial, o ministro mostrou sua disposição em reforçar os recursos do FMI, mas lamentou que "alguns países tenham mais entusiasmo em pedir dinheiro do que em reformar o sistema de cotas". O Brasil aceitou colaborar neste aumento, mas evitou dar um número específico.

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