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Sarkozy pretende convencer os eleitores de que é um líder experiente e pode minimizar os imapctos da crise

Nicolas Sarkozy, que há cinco anos ganhou as eleições presidenciais francesas com um programa de "ruptura" das políticas tradicionais realizadas no país, apresenta agora sua própria reeleição na condição de capitão de um navio que enfrenta a tempestade da crise econômica. Aos 57 anos, o chefe do grupo conservador francês assume o desafio de permanecer no governo apesar de a maioria dos líderes mundiais ter caído nesses tempos de turbulências financeiras.

Presidente francês, tenta se reeleger com o título de líder das medidas de austeridade
ASSOCIATED PRESS/AP
Presidente francês, tenta se reeleger com o título de líder das medidas de austeridade

Sob o lema "França forte", Sarkozy pretende convencer os eleitores de que, diante da incerteza da economia mundial, só um líder sólido e experiente como ele pode minimizar o impacto da crise. Da mesma forma, ele procura fugir do estigma de ser o primeiro presidente em fim de mandato derrotado nas urnas desde a queda de Valéry Giscard d'Estaing, em 1981, para François Mitterrand. Neste cenário, Sarkozy pretende crescer nas pesquisas, desfavoráveis para ele no momento, e driblar uma das taxas de popularidade mais baixas da política francesa.

Em boa medida, por causa de um início de mandato no qual foi visto em diversas situações junto a empresários abastados, o que lhe tornou conhecido por muitos como o presidente dos ricos. Outro episódio que desgastou sua imagem foi a separação de sua segunda mulher poucos meses após assumir seu mandato, além do casamento, em fevereiro de 2008, com a ex-modelo e cantora Carla Bruni, com quem teve seu sexto filho em 2011.

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Apesar disso, Sarkozy possui uma incontestável convicção que em 2007 o levou a se transformar no candidato da "ruptura", apesar de ter feito parte do governo nos cinco exercícios anteriores, quase de forma ininterrupta. O presidente se apresenta como o lcomandadas em parceria com a chanceler alemã, Angela Merkel, através das quais esperam espantar os fantasmas da crise. Um segundo mandato coroaria a carreira política do francês que escalou todos os degraus do poder no país.

Advogado de formação e de profissão, Sarkozy deu seus primeiros passos na política no município de Neuilly-sur-Seine, situado nos arredores de Paris, onde foi eleito prefeito em 1983. Após trabalhar em vários gabinetes ministeriais, em 1993 ele foi nomeado ministro de Orçamento e porta-voz do governo de Édouard Balladur, seu principal mentor. Dois anos mais tarde, Sarkozy apoiou a candidatura de Balladur para o pleito presidencial, contra o candidato do partido conservador, Jacques Chirac, que acabou ganhando nesse pleito. Tachado de "traidor" pelos "chiraquianos", Sarkozy caiu em desgraça e começou uma etapa que ele mesmo define como "travessia do deserto".

Após um tímido retorno ao núcleo do partido conservador, os maus resultados do grupo no Parlamento Europeu em 1999 o afastaram definitivamente da política nacional. Só em 2002 ele retornou com o apoio a Chirac em sua campanha pela reeleição, e conseguiu enfim se reabilitar. Considerado favorito para liderar o governo, o presidente eleito acabou optando por Jean-Pierre Raffarin para primeiro-ministro. Contudo, Sarkozy ficou a frente do Ministério do Interior, como "número dois".

A influência do político cresceu unida à sua popularidade. Após passar pela pasta de Economia e sair brevemente do governo para liderar o partido conservador União por um Movimento Popular (UMP), Sarkozy retornou em 2005 ao Ministério do Interior, usando-o como trampolim para chegar ao Palácio do Eliseu. Extremamente ativo, o político ganhou as presidenciais de 2007 ao vencer no segundo turno a socialista Ségolène Royal.

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