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Segundo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, nas regiões noroeste e nordeste do estado a participação é de 100%

Os recentes arrendamentos das unidades do Guaporé Carne, confirmados em fevereiro, proporcionaram ao grupo JBS uma alta em sua capacidade instalada de abate em Mato Grosso, de 36% em 2011 para 48% em abril deste ano. Com isso, a empresa passa a responder por 18,363 mil cabeças/dia de um total de 38,457 mil cabeças/dia abatidas no Estado.

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O movimento é apenas um exemplo da concentração da indústria frigorífica no Estado desde 2008, após uma série de aquisições e fusões, impulsionada pela crise econômico-financeira mundial. Os dados estão no levantamento Distribuição e Locação Frigorífica em Mato Grosso, elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a pedido da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), disponível no site da federação.

Segundo a pesquisa, atualmente o Estado possui 39 unidades de abate, sendo 27 em funcionamento e 12 fechadas. Além do domínio da JBS, a BRF Brasil Foods e a Marfrig possuem 10% de participação, cada, seguidas pelo Frialto, com 6%, e Arantes, com 1%. As demais - 12 unidades - representam 24% da capacidade de abate total do Estado.

Em 2008, período que antecedeu o auge da crise, Mato Grosso tinha 37 abatedouros, com uma capacidade instalada total de 32,776 mil cabeças/dia. Porém, havia pelo menos 10 grandes grupos atuantes, com porcentual máximo de participação de 17% (Quatro Marcos). A JBS, na época, ocupava o segundo lugar, com 14% da fatia do abate no Estado.

"A indústria frigorífica cresceu mais do que podia, aliado à ociosidade. Além disso, a crise internacional causou o fechamento de indústrias do setor e algumas empresas transformaram essa crise em oportunidade", disse o superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea-MT), Otávio Celidônio, nas conclusões do estudo.

Na análise por regiões do Estado, a situação é mais complicada. Nas regiões noroeste e nordeste de Mato Grosso, a JBS tem 100% da capacidade instalada e em operação de abate. No médio-norte, em capacidade instalada, o Frialto tem 58% de instalações, mas as unidades da empresa são as únicas em funcionamento na praça. No oeste do Estado, 58% da capacidade instalada de abate é da JBS e 42%, da BRF; no centro-sul, esses porcentuais passam para 49% (JBS), 22% (BRF) e 20% (Marfrig); no sudeste, a JBS está com 36% e a Marfrig, com 22% e, no norte, 31% da capacidade instalada de abate é da JBS e 25%, do Frialto. Os dados do Imea ainda mostram que quando se analisam os abates totais nacionais, a JBS lidera com uma participação de 16,03%, seguida pela Marfrig (7,20%), Minerva (2,82%), Mataboi (1,64%), Frigol (1,06%), Frigoestrela (0,77%), Tatuibí (0,60%) e Frisa (0,48%).

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