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Desenhada na década de 1970, estrada é conhecida como a "rodovia sem fim" devido a atrasos em obras que já custam R$ 2,7 bi

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prepara para o início do próximo semestre o lançamento do edital de licitação para duplicar um trecho de 283 quilômetros (km) na BR-163, ligando Rondonópolis e Rosário Oeste, no Mato Grosso.

O percurso está orçado em R$ 1,188 bilhão, conforme apurou o iG Economia , e integra os investimentos da segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) para escoar a produção agrícola da Região Centro-Oeste .

O valor total das obras na porção mato-grossense da rodovia é R$ 1,5 bilhão (a BR-163 liga o Mato Grosso ao Pará). O montante inclui trecho com 45,4 km na Serra da Caixa Furada, entre Rosário Oeste e Posto Gil (MT), que custará até dezembro deste ano R$ 225 milhões na construção de pontes, viadutos e duplicação em concreto de um pedaço da pista.

A Delta Construções é uma das contratadas do Dnit na BR-163. A empreiteira envolvida no caso do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , preso desde fevereiro, conclui em abril a duplicação de 8,5 km e a restauração de outros 27,5 km na Serra de São Vicente (MT). A construtora do empresário Fernando Cavendish recebe R$ 87 milhões pelas obras.

Os 330 km do corredor Rondonópolis-Rosário Oeste-Posto Gil é R$ 300 milhões mais caro que o R$ 1,2 bilhão previsto pelo Dnit para pavimentação de 1.000 km da BR-163 entre Guarantã do Norte (MT) a Santarém (PA), incluída no PAC 1.

PAC 1 só concluiu pouco mais de um terço das obras

Segundo o Dnit, a diferença alta de valores apesar da extensão menor se deve às características técnicas de cada obra. O órgão ligado ao Ministério dos Transportes afirma que a duplicação será importante para amenizar o tráfego diário de 12 mil veículos no trajeto Rondonópolis-Posto Gil, percurso no qual entre 60% e 80% são caminhões e carretas.

A “rodovia sem fim”
Desenhada nos anos 1970, como parte do projeto de expansão rumo à Amazônia elaborado pela Ditadura Militar (1964-1985), a BR-163 nunca foi totalmente pavimentada. Não à toa, ganhou o apelido de “rodovia sem fim” e “rodovia da morte”.

A primeira versão do PAC, lançado pelo então presidente Luis Inácio Lula da Silva, em 2007, colocou a pavimentação da rodovia como uma das prioridades. Mas até agora a BR-163 é parte consistente dos dois terços de obras do PAC 1 ainda em atraso, apesar de o Planalto já ter lançado o PAC 2.

A pavimentação do trecho de 1.000 km entre Guarantã do Norte (MT) a Santarém (PA) é o mais emblemático dentre os atrasos. Programada para ser entregue originalmente em 2010, a conclusão da obra foi transferida para dezembro 2013, após o aporte de R$ 1,2 bilhão. Faltam ser concluídos 692 km para que a produção de soja mato-grossense possa ser escoada pelo porto paraense de Santarém.

A nova licitação para a duplicação do trecho no Mato Grosso vai elevar o custo das obras na BR-163 para R$ 2,7 bilhões.

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