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A presidente da estatal, Graça Forte, diz que já está "conversando" com o governo para definir qual e quando será realizado o aumento dos combustíveis

A Petrobras trabalha com preço do petróleo até o final do ano de 119 dólares o barril, um novo patamar, o que deverá levar a um reajuste de preço dos combustíveis no Brasil ainda este ano, disse a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, durante uma palestra no Rio.

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O petróleo Brent fechou em 118,78 dólares o barril nesta terça-feira. Enquanto em seu plano de negócios 2011-2015, divulgado no ano passado, a Petrobras trabalhou com uma estimativa de preço para o Brent entre 80 a 95 dólares o barril de 2012 em diante. O novo plano (2012-2016), revisto anualmente, não foi divulgado.

Graça Foster, como prefere ser chamada a presidente da Petrobras, disse que "há um novo patamar de preço" do petróleo e que "está certo" que em 2012 haverá repasse do valor para os combustíveis.

"Expectativa de reajuste, se será em um, dois, três ou seis meses, eu não sei", declarou ela, ao responder pergunta após a palestra.

Ela acrescentou ainda que está "sistematicamente conversando com o controlador (da empresa, o governo)" sobre reajuste de combustível.

Segundo a presidente da Petrobras, é preciso diminuir a dependência das importações de gasolina, que afetou os resultados da estatal no ano passado, para garantir a capacidade de investimento da estatal.

"Esperamos voltar a ter lucro (na área de abastecimento) como tivemos em 2009 e 2010. Mas agora temos que minimizar a importação para não ficarmos expostos à volatilidade".

Um valor mais alto da gasolina, com eventual repasse de preço do petróleo, pode aumentar a competitividade do etanol no Brasil, o que diminuiria a necessidade de importação do derivado de petróleo. A Petrobras também produz etanol por meio de sociedades em companhias do setor.

Um alta da gasolina, no entanto, pode dar margem para um aumento do preço etanol, uma medida a tempos reivindicada pelos usineiros, que nos últimos tempos privilegiaram a produção de açúcar, mais remunerador.

IMPACTO NA INFLAÇÃO

O governo, por outro lado, tem evitado repasse de preços dos combustíveis, temendo o impacto inflacionário.

O comportamento da inflação no início deste ano, no entanto, foi mais benigno do que o observado no mesmo período do ano passado, segundo avaliação do Banco Votorantim, que faz uma análise do impacto de uma eventual alta dos preços dos combustíveis derivados de petróleo.

A defasagem dos preços praticados no mercado interno da gasolina e do diesel em relação aos preços internacionais é de até 40 por cento, apontou ainda o banco, destacando que há nove anos não há um reajuste de preço da bomba, embora no ano passado tenha ocorrido um reajuste de 10 por cento no combustível, que não foi repassado ao consumidor, pois ele foi absorvido pela redução da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

"Em um cenário mais conservador, no qual a Petrobras alinharia por completo a defasagem existente hoje (considerando o valor do último preço), o reajuste no preço da gasolina seria de 40 por cento. Sem qualquer alteração no valor da Cide, neste caso, o impacto total no IPCA seria de 0,83 ponto percentual", avaliou o banco.

"Na ponta inversa, caso a Petrobrás conceda o menor reajuste considerado em nosso estudo, de 10 por cento, e (o governo) reduza a Cide o máximo possível, ou seja, faça uma renúncia fiscal da ordem de 0,1 por cento do PIB, o impacto seria praticamente nulo na inflação."

A Petrobras tem a política de não repassar a volatilidade dos mercados internacionais para os preços do derivados.

No início de março, Graça Foster disse que trabalhava com a possibilidade de os preços do petróleo perderem força, o que indicava na época que não haveria necessidade de repasse, posição que ela deixou claro não mais existir nesta terça-feira.

"Não se pode repassar as tensões políticas aos preços (do combustíveis), mas é fato que o preço do petróleo está em outro patamar... em determinado momento, há de se fazer o repasse para os combustíveis", completou ela.

(Por Leila Coimbra)

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