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De acordo com ministro das Minas e Energia, não existe nenhum problema entre a Petrobrás e a Argentina e tudo segue normal

 O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, descartou nesta terça-feira que as operações da Petrobras na Argentina não serão afetadas pela decisão deste país de nacionalizar a companhia petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol. "Não creio que haja qualquer problema fundamental com a Petrobras na Argentina. Nós temos uma rede de postos de distribuição de combustíveis de 79 unidades e exploração de petróleo e nós seguiremos na normalidade", afirmou Lobão em audiência pública no Senado.

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"Cada país tem a sua soberania e tem o direito de tomar as suas decisões, seguramente dentro da legislação nacional de cada país", acrescentou o ministro ao se referir à decisão de ontem da presidente argentina, Cristina Kirchner, de enviar ao Congresso o projeto de lei que expropria 51% do patrimônio da YPF.

A maior quantidade de ativos da Petrobras no exterior está na Argentina, onde a companhia opera por meio de sua subsidiária Petrobras Argentina. A maioria dos investimentos, que foram adquiridos em 2002 do grupo Pérez Companc, está concentrada em postos de combustível e em campos de exploração nas províncias de Neuquén, La Pampa e Chubut.

"Não vejo nenhum motivo especial para temores, mas se essa é uma política especial da Argentina, também não temos nada a reclamar", assegurou Lobão, que é membro do conselho de administração da Petrobras. Apesar da tranquilidade do ministro, a Petrobras sofreu no mês passado o cancelamento de uma de suas licenças para exploração de petróleo na província de Neuquén porque, segundo o governo local, não teria investido na região, mesmo motivo alegado para a nacionalização da YPF.

Lobão disse que esteve neste ano em Buenos Aires conversando com as autoridades argentinas e que sentiu "um ambiente de absoluta tranquilidade em relação a nossa empresa". O ministro acrescentou que na próxima sexta-feira está programada em Brasília uma reunião entre o ministro argentino de Planejamento, Julio de Vido, e a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, na qual serão discutidos os negócios da companhia na Argentina, entre eles o cancelamento da licença em Neuquén.

Segundo Maria das Graças, a reunião de sexta-feira será "muito importante para esclarecer as coisas". "Fomos surpreendidos com relação às áreas que temos em Neuquén. Tínhamos cumprido o plano de exploração mínimo integralmente e anunciamos que faríamos a perfuração de seis poços no segundo semestre deste ano", disse presidente.

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