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País, que passou do sexto para o segundo lugar entre os maiores do mundo, que ser reconhecido como economia de mercado

Hu Jintao e Obama: a China cada vez mais forte
LARRY DOWNING/RTR/Newscom
Hu Jintao e Obama: a China cada vez mais forte
A China, que em uma década passou do sexto ao segundo lugar entre as maiores economias mundiais, celebrou neste domingo o décimo aniversário de sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC) com promessas de liberalização para ajudar a combater a crise econômica mundial, mas pedindo contrapartidas do Ocidente. O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, e o presidente da China, Hu Jintao, lideraram a cerimônia comemorativa no Grande Palácio do Povo, em Pequim, onde o francês aproveitou para pedir mais maturidade ao gigante asiático nos conflitos comerciais internacionais, enquanto o chefe de Estado reivindicou o pleno reconhecimento do país como economia de mercado.

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Lamy, que enfatizou a importância de a China impulsionar sua economia para depender mais do consumo interno e menos das exportações, destacou que, após dez anos na organização, este é o momento para que o país contribua mais em questões como a regulação comercial internacional e se consagre como "um membro-chave da família da OMC". Jintao, por sua vez, insistiu que a comunidade internacional - especialmente seus principais parceiros comerciais, Estados Unidos e União Europeia (UE) - deve dar à China o desejado status de economia de mercado e relaxar as restrições na exportação de alta tecnologia ao país.

O líder ressaltou que a entrada de Pequim na OMC representou "um marco no processo de reforma e abertura" do regime comunista, iniciando "uma nova etapa histórica" para a potência asiática. Ele destacou que a China continuará a liberalização de seu comércio, processo iniciado desde a adesão na OMC. E diante da reputação de país meramente exportador, Jintao lembrou que as importações chinesas devem superar os US$ 8 trilhões nos próximos cinco anos (no ano passado, chegaram a US$ 1,39 trilhão). Também ressaltou, após os pedidos de Lamy, a estimativa de que o consumo interno da nação crescerá a um ritmo de 15% por ano, podendo chegar aos US$ 5,05 trilhões em 2015.

China: um país em construção
NYT
China: um país em construção
A China ingressou na Organização Mundial do Comércio no dia 11 de dezembro de 2001, mesmo dia que Taiwan - ilha administrada por Pequim -, após um árduo processo de 15 anos de negociações, um dos mais longos que um país teve de superar para entrar no organismo. A adesão significou a incorporação da economia da China, maior mercado do mundo, às regras do comércio internacional, embora de uma forma progressiva, ainda não plenamente concluída em muitos setores superprotegidos por Pequim (bancário e energético, por exemplo).

No tempo transcorrido, a China se transformou no maior exportador mundial e no segundo maior importador. Seu comércio exterior passou dos US$ 509 bilhões em 2001 para US$ 2,97 trilhões em 2010. "(A OMC) deu à China um acesso mais transparente, seguro e previsível ao mercado mundial, e, ao mesmo tempo, o país se transformou em uma importante parte da economia do planeta, dando enormes oportunidades a outros membros", analisa um artigo recente do jornal oficial "China Daily".

Algumas medidas foram cruciais para isso, como a redução de tarifas às importações. A média delas era de 15% antes do ingresso na OMC, enquanto agora é de 9,5%. Os dez anos foram testemunhas, por exemplo, da criação da maior zona de livre-comércio do mundo - formada pela China e pelos membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) - e da assinatura de tratados de livre-comércio entre Pequim e Chile, Peru, Costa Rica, Paquistão, Cingapura, Nova Zelândia e Taiwan. Enquanto isso, nesses dez anos, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês foi progressivamente ultrapassando os da França, Reino Unido e Alemanha.

China agora quer se desenvolver com harmonia

Esse processo foi acompanhado pelo aumento do "soft power" (poder brando) do gigante asiático, marcado pela progressiva internacionalização de sua imagem, com a ajuda dos Jogos Olímpicos de Pequim (2008) e da Exposição Universal de Xangai (2010). A ascensão comercial não esteve isenta de tensões diplomáticas, sobretudo com EUA e UE, por questões como a chamada "guerra cambial" - devido à desvalorização do câmbio do iuane (artificialmente baixa, segundo Washington e Bruxelas) -, escândalos sanitários em produtos "Made in China" e a velha questão da violação de direitos de propriedade intelectual, ainda pouco protegidos no país.

A década como membro da OMC culminou em 2011 com uma China assumindo um papel impensável nos primórdios do milênio: por ter superado bem a crise financeira de 2008, Pequim se transformou no maior credor dos EUA e no alicerce fundamental para ajudar a Europa a combater a crise da dívida soberana.