O Banco Central Europeu (BCE) anunciou ontem, em Frankfurt, na Alemanha, a redução de sua taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual, levando-a a 2%, o nível mais baixo de sua história. A atitude, porém, não surpreendeu os mercados financeiros do continente, que antecipavam a iniciativa.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, justificou a medida por acreditar na "continuidade da desaceleração significativa" da economia e na redução das pressões inflacionárias.

A autoridade monetária da zona do euro, que reúne 16 países da União Europeia, vinha sendo pressionada a diminuir o custo do dinheiro não apenas pelos mercados financeiros, mas também por governos das principais economias da região, como Alemanha e França. Em 9 de janeiro, o Banco da Inglaterra já havia reduzido sua taxa de juros para 1,5%, índice mais baixo no Reino Unido desde 1694. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) também adota um índice historicamente baixo: 0,25%.

A nova taxa europeia é a menor do BCE desde a sua criação, há dez anos, quando o euro começou a ser introduzido na Europa. Como na reunião de dezembro, Trichet sinalizou, contudo, que uma nova redução não deve ocorrer na reunião do Comitê de Política Monetária de 5 de fevereiro. Segundo o francês, será preciso esperar por "uma reunião importante" nessa data.

Além de irrigar a economia com crédito mais barato para o consumo, a baixa dos juros básicos deve incentivar os empréstimos interbancários, cujas taxas - 2,51% em três meses e 2,57% em seis meses - são as mais baixas desde 2005.

Desde já, o novo índice de juro da zona euro deve ajudar a equilibrar o câmbio da moeda única com o dólar e a libra esterlina. A sobrevalorização da moeda na União Europeia, avaliam analistas, é um dos motivos que agravam a recessão da indústria no continente.

Segundo anunciou ontem o instituto de estatísticas Eurostat, de Bruxelas, a produção industrial na zona do euro caiu 1,6% em novembro, em comparação com o mês de outubro. A situação foi mais crítica na Alemanha, onde a atividade industrial caiu 3,3% no mês. As outras duas maiores economias da zona do euro também sofreram: na França, a queda foi de 2,4%, enquanto na Itália o recuo chegou a 2,3%.

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