Mesmo com a queda dos principais mercados financeiros do bloco, os 15 países da zona euro não lançarão um plano comum de retomada do crescimento econômico. A decisão foi confirmada ontem, em Bruxelas, pelo presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker.

No entanto, Reino Unido e França anunciaram que criarão medidas para fomentar o emprego e o crescimento, em especial apoiando o setor industrial.

O questionamento sobre um eventual pacote europeu contra a recessão foi uma das preocupações, em Bruxelas, em razão do mau desempenho das bolsas. A hipótese foi reforçada pelos pronunciamentos, em separado, do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, sobre a intenção de anunciar medidas para estimular o crescimento econômico e o nível de emprego.

Ambos fizeram referências à desaceleração da produção industrial, mas não anunciaram ações concretas. "A competitividade da indústria é importante porque devemos considerar todos os aspectos da economia real durante esse período crítico", desconversou Brown. "Vamos apoiar o emprego e o crescimento", afirmou Sarkozy.

O presidente francês foi mais longe e disse que um pacote de incentivos à indústria pode ser necessário para equilibrar a competitividade com empresas americanas. "O governo dos Estados Unidos acabou de anunciar um pacote de US$ 25 bilhões de auxílio às quatro montadoras de automóveis do país. Temos de nos preocupar com a concorrência."

À tarde, um trecho da declaração final da cúpula aumentou os rumores de um pacote europeu. "Além do setor financeiro, o Conselho Europeu ressalta a determinação de tomar medidas para apoiar o crescimento e o emprego", dizia o texto.

Coube a Juncker o desmentido. "Um plano de relançamento econômico em escala européia nos conduziria quase automaticamente a tirarmos férias das regras saudáveis do Pacto de Estabilidade em certos países." Ele disse estimar que as medidas tomadas pelo Eurogrupo no domingo, em Paris, em favor da segurança do sistema financeiro "contribuirão para evitar uma recessão geral".

Segundo Sarkozy, as medidas já estão surtindo efeito positivo sobre a economia. "As taxas de empréstimos interbancários estão caindo e o sistema recomeça a funcionar." Horas antes, oito bancos europeus haviam anunciado linhas de empréstimos interbancários de 15 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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