Diante da deterioração das perspectivas para a economia dos Estados Unidos, os diretores do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) estudam fazer novos cortes na taxa básica de juros americana, mesmo se o Congresso do país aprovar o pacote de socorro financeiro de US$ 700 bilhões, informou o jornal The Wall Street Journal. A taxa básica de juros americana vêm sendo mantida em 2% ao ano desde junho deste ano, após sucessivos cortes.

A disposição do Fed marca uma virada em relação aos últimos meses, quando a disparada dos preços de alimentos e de energia chamou a atenção do banco central para os riscos de inflação. Na reunião de setembro, depois que os preços do petróleo já tinham recuado, os diretores do Fed se recusaram a baixar a taxa básica, pela terceira vez seguida.

A redução das taxas ainda está longe de ser uma certeza, em parte por causa das preocupações com a inflação. Mas nas últimas semanas, enquanto a crise de crédito golpeava o sistema financeiro, os dados da economia tornaram-se cada vez piores, aumentando o medo de uma recessão. Os últimos sinais vieram ontem e foram abundantes.

As montadoras foram afetadas pelo aperto nas condições de crédito em setembro e pela redução da demanda. A venda de veículos e de caminhões leves foram as piores desde abril de 1992. Toyota e Ford apresentaram quedas de mais de 30% em relação às vendas de um ano antes.

O índice da atividade manufatureira do Instituto para a Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) caiu em setembro para o menor nível desde outubro de 2001. O indicador ficou em 43,5 em setembro, contra 49,9 em agosto. Números abaixo de 50 indicam contração do setor e o índice de setembro aponta para um crescimento econômico anual de 0,8%, segundo o ISM.

"O setor de manufaturas tem evitado grande parte do declínio que temos visto no setor de serviços financeiros", disse Norbert Ore, executivo da Georgia-Pacific, que administra a pesquisa do ISM entre os gerentes de compras. "Este mês de fato foi uma grande interrupção dessa tendência."

Um relatório sobre gastos em construção mostrou que a atividade de construção comercial desacelerou em agosto, somando-se à fraqueza do setor residencial. Os indicadores globais de crescimento também se enfraqueceram perceptivelmente.

Tudo somado, o risco de uma grave recessão - conhecido como "risco de cauda" porque sua probabilidade é pequena, mas seu efeito seria catastrófico - parece ter ressurgido nas últimas semanas. No começo deste ano, os diretores do Fed acreditavam que tal ameaça havia se dissipado. As informações são da Dow Jones.

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