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WestLB: Queda forte do crédito e consumo retraíram Nuci e ICI

São Paulo - O estrategista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, afirmou à Agência Estado que a contração do crédito e a forte queda da produção das empresas, provocadas pela crise internacional, foram os principais fatores responsáveis pela retração do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) de 84,0% em novembro para 79,9% neste mês e queda de 11% em dezembro do Índice de Confiança da Indústria (ICI), ambos indicadores apurados pela FGV. As pessoas ficaram mais cautelosas para comprar, pois foi grande a exposição na mídia dos problemas causados pela crise, como o aumento dos estoques das indústrias, comentou.

Agência Estado |

A intensa queda do consumo doméstico e do nível de atividade das indústrias foi gerada sobretudo pela drástica piora das condições do crédito, sobretudo para a aquisição dos produtos duráveis, pois os prazos caíram muito e as empresas registraram dificuldades sérias para ter acesso a recursos dos bancos, inclusive até para capital de giro, destacou Padovani. Nesse contexto, ele prevê que ocorrerá uma queda de 1,7% da produção industrial em novembro na margem, dado que será divulgado pelo IBGE na próxima terça-feira. Se tal marca for confirmada, será repetido o recuo de 1,7% apurado em outubro ante setembro.

Na avaliação de Roberto Padovani, a intensa retração do nível de atividade começará a exibir nos próximos meses efeitos mais vigorosos sobre as vendas do comércio, o que deve colaborar para elevar com rapidez os números do desemprego e reduzir a renda média dos trabalhadores. Esses fatores, aliados às dificuldades de retomada do crédito que devem perdurar por todo o primeiro semestre de 2009, devem fazer com que a desaceleração da economia se torne mais generalizada por todos os setores produtivos até junho.

"A indústria deve reduzir o nível de queda da produção nos próximos trimestres e apresentar resultados mensais sem expansão. Mas em compensação o comércio, que vinha crescendo a taxas mais altas, vai recuar", comentou Padovani. Segundo ele, a combinação desses dois movimentos deve produzir um retração expressiva da taxa média de crescimento da economia, que só deve se recuperar no segundo semestre, com a melhora do fluxo de crédito às empresas e às famílias.

Nesse contexto de esfriamento mais drástico da economia do que o esperado, o estrategista-chefe do WestLB acredita que o movimento de queda dos juros que deve ser adotado pelo Copom, que para ele será iniciado em 21 de janeiro com um corte de 0,25 ponto porcentual, deve ser implementado em sua maior parte no primeiro semestre de 2009. Padovani espera uma redução total de 1,50 ponto porcentual da Selic no próximo ano que seria distribuída em quatro reduções de 0,25 ponto porcentual da seguinte forma: a primeira no próximo dia 21, a segunda em 11 de março, a terceira em 29 de abril e a quarta em 10 de junho. A queda restante de 0,50 ponto porcentual ocorreria no terceiro trimestre.

Como o nível de atividade está caindo com força, Padovani estima que o PIB deve desacelerar de uma expansão de 5,3% em 2008 para 2,4% no próximo ano. Tal redução da velocidade do produto interno bruto, aliada à valorização do câmbio de um patamar ao redor de R$ 2,35 em dezembro deste ano para R$ 2,10 no final do mesmo mês de 2009, deve colaborar para que o IPCA reduza seu ritmo de elevação de 6% para 4,5% no período. "Não acredito que a inflação será um fator preocupante no próximo ano, pois há fatores que colaboram para conter a alta dos índices de preços, como a retração das cotações internacionais das commodities internacionais e menor nível de atividade no País", frisou. (Ricardo Leopoldo)

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