Mar Gonzalo.

Nova York, 19 set (EFE) - As bolsas de todo o mundo receberam hoje com grande entusiasmo o plano estabelecido pelos Estados Unidos para combater o furacão em que se transformou a crise financeira durante esta semana.

Wall Street chegou a subir 4,2% ao ser anunciado que os EUA decidiram tomar as rédeas e fazer de tudo para reduzir os efeitos da crise.

Desta forma, a principal bolsa do mundo fecha positivamente uma semana destrutiva para muitos, esperançadora para outros e de grandes sustos para todos.

As bolsas européias também reagiram hoje com altas sem precedentes às medidas anunciadas pelas autoridades americanas.

No fechamento, Londres subiu 8,8%, Frankfurt terminou com alta de 5,6%, Paris se expandiu 9,3% e Madri ganhou 8,7%.

Os investidores acordaram segunda-feira com a chocante notícia de que o Lehman Brothers abria concordata e que o Merrill Lynch era comprado pelo Bank of America para evitar algo parecido e sacrificando, assim, uma independência propagada pelos maiores bancos de investimento de Wall Street durante décadas.

Com esse começo, era previsível uma jornada difícil da bolsa, que terminou com a maior queda desde a registrada em 17 de setembro de 2001, quando foi retomada a atividade em Wall Street após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Um dos aspectos que mais impressionou os investidores foi a constatação de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano), e o Departamento do Tesouro deixaram o Lehman Brothers se enforcar com sua própria corda.

Essa atitude contrastou com o respaldo da venda do Bear Stearns ao JP Morgan Chase em março e com a intervenção das hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae este mês e IndyMac em julho.

O critério para resgatar todas essas entidades e não ajudar o Lehman Brothers desconcertou os investidores e fez temer pelo futuro dos outros dois bancos de investimento de Wall Street que ainda sobrevivem como independentes (Morgan Stanley e Goldman Sachs), o que se traduziu em intensos rumores e fortes quedas em bolsa.

No entanto, a criação de um fundo de US$ 70 bilhões entre dez grandes entidades bancárias e a ação coordenada dos maiores bancos centrais para injetar no sistema centenas de bilhões de dólares e outras divisas durante a semana ajudou a dar liquidez ao sistema financeiro e dar-lhe serenidade.

Isso permitiu, por exemplo, que na terça e na quinta-feira Wall Street fechasse em alta.

No entanto, não impediu que continuasse a queda da bolsa de grandes entidades financeiras, o que fez as autoridades suspeitarem de que, ao pessimismo contagioso dos investidores, poderiam estar se somando a má intenção de certos especuladores.

Como vinham denunciando algumas firmas, os reguladores temem que os "brokers" que tiram proveito da redução das ações pudessem ter estado divulgando falsos rumores para desencadear essas quedas, aproveitando a grande sensibilidade do mercado durante estas semanas.

Os brokers aproveitam a baixa das ações através de operações completamente legais conhecidas como vendas a descoberto (.

A Comissão de Valores Mobiliários (SEC, em inglês) tomou medidas para controlar mais esse tipo de operações, investigar possíveis crimes e, inclusive, proibi-las temporariamente.

Em vista de que, mesmo assim, quinta-feira (após uma nova queda superior a 4%) foi uma das sessões mais voláteis dos últimos meses nos mercados financeiros e diante das críticas recebidas, Washington decidiu usar todas as forças para abordar o problema da crise como se fosse um desastre natural.

Se até agora a crise tinha tido os efeitos de uma tempestade tropical, esta semana foi alçada à categoria de furacão que tocou terra em pleno distrito financeiro de Manhattan e em Wall Street.

"Devemos agir agora para proteger a saúde econômica de nossa nação", afirmou hoje o presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, em mensagem à nação acompanhado dos máximos responsáveis do Tesouro, Henry Paulson, do Fed, Ben Bernanke, e da SEC, Chris Cox.

Eles coordenarão uma estratégia de defesa que definitivamente significa a intervenção no mercado de títulos imobiliários e financeiros, a compra aos bancos da dívida mais difícil de receber e a garantia de fundos mútuos de investimento.

Bush destacou que se o Governo não agir agora, estão em jogo perdas "maciças" de emprego, uma queda ainda maior do setor imobiliário e a destruição de valor nas contas de aposentadoria dos americanos.

Ninguém sabe como será o panorama que deixará a passagem deste furacão financeiro, mas é certo que terá provocado a perda de milhares de postos de trabalho e mudado a estrutura do setor para sempre. EFE mgl/db

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