Os investidores americanos terão de observar, a partir desta quinta-feira, uma regulamentação mais severa sobre as vendas a descoberto, cujo objetivo é deter os violentos ataques contra alguns papéis da Bolsa.

"Nas últimas semanas, esta manipulação ilegal das cotações precipitou a queda das ações, com volumes de transações extremamente elevados", destacou o presidente da associação de banqueiros americanos, Edward Yingling, que festejou a decisão.

A venda a descoberto é um tipo de negociação na qual o negociante vende um ativo que pegou por empréstimo, espera a queda de seu preço, para depois comprá-lo, lucrando com a diferença de valor antes da devolução ao proprietário.

Esse procedimento, que é legal, tornou possível algumas manobras que a Comissão de Valores e Bolsa (SEC) quer eliminar.

O órgão regulador decidiu impedir situações nas quais "o vendedor não empresta na realidade a ação", o que "permite aos manipuladores do mercado levar as cotações a valores muito inferiores aos que chegariam normalmente".

Isto ocorre quando um proprietário de ação "empresta" seus papéis, ao mesmo tempo, para vários especuladores diferentes, destaca a SEC.

A seguradora AIG perdeu mais de 90% de seu valor na Bolsa em um ano, antes de ser estatizada. O mesmo ocorreu com o banco Lehman Brothers, que quebrou na última segunda. A ação do Bear Stearns perdeu 80% em março, precipitando uma oferta a baixo valor do JPMorgan.

O Morgan Stanley, que publicou resultados melhores do que o esperado, foi massacrado na Bolsa, onde sua ação caiu 24,22% na quarta-feira.

Nesse contexto, a culpa parece recair sobre as vendas a descoberto.

Diante dos movimentos excessivos dos mercados nos últimos meses, a SEC impôs limites para as vendas a descoberto durante quatro semanas do terceiro trimestre, mas a medida envolvia apenas 19 instituições financeiras, enquanto agora abrange todas as ações cotadas em Bolsa.

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