SÃO PAULO - Dentro de sua estratégia de alongar a vida útil e ocupar a capacidade ociosa de sua unidade de produção de níquel em Serra da Fortaleza, em Minas Gerais, a Votorantim Metais firmou acordo de compra de minério concentrado com a Mirabela Mineração, que começará a operar sua mina na Bahia em meados do próximo ano. O contrato, de cinco anos, soma US$ 1 bilhão.

A Mirabela é controlada pelo grupo australiano Mirabela Nickel, que tem ações nas bolsas de valores da Austrália e do Canadá. O projeto da empresa na Bahia começou a ser montado no ano passado, com investimentos de R$ 450 milhões. Segundo informações em seu site, tem reservas provadas de 69,2 milhões de toneladas, com teor 0,62% de níquel. Com isso, tem uma produção projetada de 18,5 mil toneladas por ano do metal contido em concentrado a partir de 2009.

A vida útil da mina, localizada no sudoeste da Bahia, em Itagibá, está prevista para 19 anos, com extração de 4 milhões de toneladas de minério anualmente. Conhecida como projeto Santa Rita, a mina poderá atingir produção de 25 mil toneladas a partir de 2010, segundo apresentação da Mirabela a investidores em maio. A CVRD Inco, da Vale do Rio Doce, figura como terceiro maior acionista da empresa, com 9,2% do capital.

Segundo explicou João Bosco Silva, diretor-superintendente da VM, a compra de material da Mirabela corresponde a 12,5 mil toneladas de níquel contido por ano. O acordo vai até 2014 e prevê renovação. A Votorantim venceu concorrência com diversos grupos estrangeiros para um contrato de no máximo metade da produção da Mirabela. A outra metade encontra-se em fase de negociação.

Com esse material, mais minério próprio e outra parte adquirida da Americano do Brasil, de Goiás, a VM vai elevar sua produção em Serra da Fortaleza ao ritmo anual de 18,5 mil toneladas no segundo semestre de 2009. A unidade dispõe, hoje, de capacidade para beneficiar 20 mil toneladas de níquel em concentrado tipo matte , que contém 80% de metal. A produção atual é de 6 mil toneladas e é toda exportada para a Finlândia, onde é refinada.

Ao alcançar esse volume, a produção de níquel da VM saltará, em 2010, para 53 mil toneladas, com a unidades de Niquelândia (24 mil) e o novo projeto de ferro-níquel (10,5 mil), ambos em Goiás. Dessa forma, se posiciona entre as seis maiores do mundo, atrás das gigantes Norilsk (russa), Vale, BHP Billiton (anglo-australiana), Xstrata (anglo-suíça) e Jinchuan (chinesa). Atualmente, com 27 mil toneladas de produção, é a décima do mundo. Ficaremos entre os produtores de médio porte nesse setor , diz Silva.

Serra da Fortaleza foi adquirida no fim de 2003 com expectativa de vida de mais dois anos e estimativa de reservas de 11 mil toneladas. Já retiramos 21 mil e devemos chegar a 28 mil toneladas , informa o executivo. No momento, a VM pesquisa novas jazidas no Brasil (27 alvos de prospecção, incluindo Goiás, Bahia e Pará) e parte do material poderá ser beneficiado nessa unidade. Nosso objetivo é atingir produção de 100 mil toneladas de níquel por ano no médio prazo (até 2015) , diz. Além do Brasil, faz pesquisas na Colômbia e Bolívia.

No ano passado, a VM faturou R$ 6,6 bilhões - 44% com zinco, 33% com níquel e 23% com aços longos. Desde o início deste mês, o negócio aço passou para uma nova holding, a Votorantim Siderurgia. Segundo Silva, os preços do níquel deverão se equilibrar no patamar atual, de US$ 20 mil a tonelada.

(Ivo Ribeiro | Valor Econômico)

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