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Votorantim desmonta posições vendidas em dólar com opções

SÃO PAULO - Depois da Sadia e da Aracruz, mais uma grande empresa confirmou ontem ao Valor que desfez posições vendidas em dólar. O Grupo Votorantim admitiu que desmontou suas posições de venda de opções de compra.

Valor Online |

Segundo o mercado, foi anteontem que a empresa comprou dólar em volumes mais significativos, que totalizaram US$ 6 bilhões. A empresa de capital fechado não informou valores envolvidos na transação.

Segundo nota da Votorantim, o grupo, controlado pela família Ermírio de Moraes, tinha realizado " algumas " operações de " opção de verificação em dólar " nos últimos meses e elas foram eliminadas completamente até o dia de ontem. " O grupo Votorantim mantém a sua trajetória de crescimento, assegurando a criação de valor em todas as suas atividades " , diz a nota.

No dia anterior, o grupo havia dito que sua exposição com operações de derivativos não era significativa, mas não deu detalhes de percentuais ou de valores envolvidos nestas operações. Os planos de investimentos do grupo, que atua em cimento, metais, celulose, entre outros, são investir R$ 25 bilhões até 2012, mas os acionistas não descartam a possibilidade de retardar a implantação de algum projeto caso a situação de mercado continue muitíssimo conturbada.

Ao vender uma opção de compra para o banco, a empresa vende a essa instituição o direito de comprar dólar a uma determinada cotação no futuro. Se o dólar ficar acima dessa cotação na hora do vencimento da opção, a empresa tem de pagar a diferença. Para desfazer essa operação, a empresa precisa pagar o prejuízo e comprar uma opção de compra de dólar. É na prática uma compra de dólar no mercado futuro, que acaba aumentando a demanda pela moeda e pressionando sua cotação para cima. É uma clássica realização de prejuízos.

A Sadia foi a primeira a anunciar que desmontou o excesso de sua exposição vendida em câmbio e registrou perdas de R$ 760 milhões com isso. Foi ao mercado tomar linhas de crédito para recompor seu caixa. Segundo a Standard & Poor ? s, a empresa tomou aproximadamente US$ 1 bilhão em linhas de curto prazo para preservar sua liquidez, deteriorando o perfil de sua dívida, que teve sua nota rebaixada. A nota do crédito externo de longo prazo de Sadia dada pela S & P passou de " BB+ " para " BB " .

No caso da Aracruz, ela anunciou prejuízo potencial total de R$ 1,95 bilhão com operações estruturadas com opções e venda de dólar a termo ( " target forward " ). Não deixou claro sua exposição líquida ao risco cambial, mas anunciou que comprou dólar a termo no total de US$ 540 milhões para desmontar suas posições vendidas em dólar. Não esclareceu no entanto se elas foram todas desmontadas ou não.

Há empresas que ficaram expostas ao risco cambial em operações de crédito acopladas com opções de compra de dólar vendidas ao banco credor. Os rumores são de que litígios jurídicos e não-pagamentos já se iniciaram.

O total de posições vendidas em dólar das empresas clientes com os bancos no mercado de balcão da Cetip chega a R$ 58 bilhões, segundo informa a empresa, na qual são registrados aproximadamente 85% dos contratos de balcão (entre duas partes) do mercado financeiro brasileiro. O resto é registrado na BM & FBovespa. Diferentemente do que acontece no mercado internacional, o Banco Central tem acesso a todas as informações dos registrados da Cetip e da BM & FBovespa. O mercado de balcão no Brasil não é uma caixa preta para os reguladores no Brasil.

É importante notar todas que essas transações de venda de dólar futuro na Cetip não necessariamente são operações especulativas. Há casos nos quais a empresa exportadora casou o vencimento de sua operação vendida no mercado futuro com a data de recebimento das receitas de sua exportação. Estão incluídas aí operações de dólar a termo, futuro, swaps, opções de compra e venda e todo o tipo de exposição cambial vendida em dólar das empresas com os bancos.

Segundo a Cetip, desse estoque total, há R$ 10,74 bilhões que vencem em 30 dias, outros R$ 9 bilhões que vencem em um período de 31 a 60 dias, R$ 6,78 bilhões que vencem de 61 a 90 dias, outros R$ 12,72 bilhões que vencem em 91 a 180 e a maior parte - R$ 15,22 bilhões - vence de 180 a 360 dias. Os restantes R$ 4,5 bilhões vencem em prazo superior a 360 dias.

(Cristiane Perini Lucchesi e André Vieira | Valor Econômico)

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