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Votorantim dá primeiro passo para controlar a Aracruz

Com apenas 20 anos de atuação no setor, a Votorantim está perto de se tornar o maior produtor de celulose do mundo. O grupo fechou ontem um acordo para comprar, por R$ 2,7 bilhões, os 28% que a família do norueguês Erling Lorentzen têm na Aracruz.

Agência Estado |

Se fechar o negócio, a Votorantim, que já é acionista, passa a ser o único controlador da companhia, com 56% de participação. A intenção é criar uma empresa formada pela união de Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Aracruz.

O clã Safra, que hoje participa do bloco de controle, tem 90 dias para aprovar a operação. A Aracruz é regida por um acordo de acionistas entre as famílias Safra e Lorentzen, que fundou a companhia no fim dos anos 60 no Espírito Santo. Se um deles quisesse vender as ações, precisaria, primeiro, oferecer ao outro. A combinação foi feita justamente para impedir um avanço da Votorantim - em 2001, o grupo de Antonio Ermírio de Moraes entrou no negócio comprando a participação (28%) da Anglo American.

Trata-se de uma operação complexa, que ainda tem alguma chance de dar errado. A família Safra (representada pela Arainvest S.A.) pode exercer seu direito de preferência de compra das ações dos Lorentzen (Arapar S.A.) ou de venda conjunta de suas ações à Votorantim.

Caso opte pelo primeiro, a compra obedecerá aos mesmos termos da proposta feita pela Votorantim. No mercado, circulam rumores de que os Safra poderiam se alinhar à Suzano, também interessada na Aracruz, para fazer uma oferta pelas ações da Arapar e assim impedir o avanço da Votorantim. Na noite de ontem, a Arainvest informou que vai analisar as alternativas que tem.

Segundo fontes próximas às negociações, essa aliança é pouco provável. "A Suzano mais confundiu do que resolveu", diz uma fonte. Nas conversas entre os acionistas, os Safra deixaram claro que o objetivo não era comprar nem vender, mas, sim, fazer uma composição com a Votorantim. "Os Safras estão satisfeitos com os retornos que a Aracruz tem dado. Ter a Votorantim como sócio estratégico, que tem uma mentalidade industrial, dá um certo conforto para eles", diz outra fonte. "O interesse da Votorantim, ao contrário do que muita gente pensa, também não é ficar sozinha na Aracruz."

Ontem, em teleconferência com analistas de mercado, os executivos da Votorantim mostraram-se otimistas com o desfecho do negócio. "As expectativas são positivas. Esse é apenas o primeiro passo", disse o diretor-geral da Votorantim Industrial, Raul Calfat, o executivo que esteve à frente das negociações. "Conversamos com todos os acionistas desde o começo do processo, mas decidimos fazer a proposta pela Arapar primeiro para depois intensificar as negociações com a Arainvest."

Bastidores

As conversas começaram há cerca de cinco meses, pouco antes do fim do prazo de vencimento do acordo entre os acionistas, que terminou em maio, abrindo espaço para a consolidação do setor. As famílias Lorentzen e Safra não se colocaram como compradores. A Aracruz passou, então, a ser alvo natural para a Votorantim e para um segundo elemento, a Suzano, de fora da companhia.

Nesse período, os quatro foram atrás de assessores financeiros. A Votorantim contratou o banqueiro Pércio de Souza, da Estáter. A Suzano ficou com a Signatura Lazard. O Credit Suisse assessorou os Lorentzen e o JP Morgan, os Safra.

Os três controladores chegaram a discutir uma nova composição para uma eventual fusão entre a Aracruz e a VCP. As negociações não avançaram. Chegou-se à conclusão de que era complexo demais, pois seria difícil decidir quem mandaria na nova empresa. "A fusão fazia muito sentido, pois a sinergia é brutal. Só que dividir a gestão em três é muito complicado", diz uma fonte próxima às empresas.

Há duas semanas, a família Lorentzen surpreendeu os sócios ao avisar que estava pronta para vender sua parte. A Votorantim, que já havia indicado o interesse em comprar, passou a negociar sozinha com a Arapar.

A partir daí, foram cinco dias de discussões intensas entre os executivos das duas empresas. A Arapar também tem como investidores a família Moreira Salles, do Unibanco, o banco Icatu e o fundo Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. A venda não inclui troca de ações. O pagamento será financiado pelos bancos Caylon, Santander e HSBC. "Não foram os Lorentzen que decidiram vender. Foi a Votorantim que quis comprar. O que motivou a venda foi um checão de R$ 2,7 bilhões", diz uma fonte.

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