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Votorantim Cimentos faz nova série de investimentos, de R$ 1,5 bi

A Votorantim Cimentos (VC) anunciou ontem uma segunda onda de investimentos no País, apenas onze meses depois de tirar do papel um plano de expansão de R$ 1,7 bilhão. Desta vez, a companhia vai investir R$ 1,5 bilhão em mais quatro novas fábricas em São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Distrito Federal.

Agência Estado |

"O mercado vem crescendo a taxas maiores do que a que imaginávamos", afirma o presidente da VC, Walter Schalka. "Essa é uma resposta direta às necessidades dos nossos clientes e uma clara resposta à sociedade de que o cimento não será limitador do crescimento do País."

Com as novas unidades, a capacidade de produção da Votorantim vai sair dos atuais 25 milhões de toneladas para 39 milhões de toneladas em 2011, quando todas as novas fábricas (incluindo as da primeira fase) já estarão em operação. É o maior investimento - R$ 3,2 bilhões - já feito pelo grupo em cimentos, se somadas as duas fases. Graças ao boom do mercado imobiliário e às obras de infra-estrutura, o Brasil deve consumir neste ano 50 milhões de toneladas, 11% a mais que no anterior.

O volume surpreendeu os fabricantes de cimento. A própria Votorantim havia estimado um crescimento de 9%. Em 2008, o consumo per capta deve ser o maior da história do País, superando o recorde de 1998. Para os próximos anos, a companhia espera crescimento entre 7% e 8%.

A situação chegou a tal ponto que faltou cimento em alguns mercados. O Brasil até tinha capacidade de fabricação, mas ela não estava disponível. Para evitar problemas, a VC foi obrigada a levar cimento do Sergipe para o Mato Grosso, um dos Estados onde o consumo de cimento cresce acima da média brasileira. "Estamos tomando medidas caras para evitar o desabastecimento", diz o executivo, referindo-se ao alto custo da logística no segmento.

A companhia também teve de reativar fábricas que não funcionavam há anos, como a de Cocalzinho, em Goiás, que entrou em operação em abril deste ano, depois de ficar 14 anos parada, e a da cidade gaúcha de Pinheiro Machado.

Embora o cenário seja favorável, a decisão de fazer o novo investimento foi delicada. A ameaça da inflação foi tema recorrente nas reuniões do Conselho de Administração do Grupo Votorantim. "Há algumas nuvens no horizonte. E a inflação é uma delas. Cada vez que o preço dos alimentos sobe, sobra menos dinheiro para as outras coisas. Entre elas, a casa própria", explica Schalka. "Outra preocupação é a falta de infra-estrutura para fazer isso acontecer. Não existe fábrica de cimento sem estrada, energia e portos."

O executivo levantou ainda um terceiro ponto, que transformou-se numa questão sensível para quase todos os setores da economia, inclusive o da construção civil. Trata-se da falta de mão-de-obra. Faltam profissionais em todas as áreas - desde pedreiros até engenheiros. A disputa das construtoras por eles está criando até uma alta inflação de salários no setor.

O apagão de mão-de-obra é grave e levou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) a capitanear um programa para treinar 5 milhões de trabalhadores. O projeto foi apresentado à Casa Civil em fevereiro. Um programa piloto deve começar a funcionar até o fim deste ano. As empresas do setor têm seus projetos internos de formação, mas têm se mostrado insuficientes para acompanhar o ritmo de crescimento da construção.

GOVERNO

A aposta da Votorantim, embora seja de risco, foi considerada necessária pelos acionistas. Por ser líder de mercado, com 40% das vendas de cimento do País, a companhia não queria ser responsabilizada por desabastecimento. "O governo federal (Casa Civil e Ministério da Fazenda) e alguns estaduais têm nos solicitado isso", revela Schalka.

O executivo diz que, por isso mesmo, tem tido apoio do governo, seja para abrir estradas, resolver problemas de portos e de energia. As fábricas de cimento ficam em regiões isoladas dos grandes centros.

O consumo per capta de cimento no Brasil ainda é baixo se comparado ao de outros países da América Latina. Hoje ele é de 261 quilos por habitante. Se o consumo e a população crescerem como previsto, a expectativa é que o nível de 2011 seja parecido como o da Argentina, Chile e México. Para ter uma idéia, na China - que consome metade do cimento produzido no mundo, ou 26 vezes mais que o Brasil -, o índice é de espantosos 1200 quilos por habitante.

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