De olho na demanda criada pelo programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, pela expansão do setor produtivo e por grandes projetos de infraestrutura, como a Hidrelétrica de Belo Monte, a Votorantim Cimentos anunciou ontem a construção de oito novas fábricas no País, ao custo de R$ 2,5 bilhões. Com o anúncio, a empresa completa a destinação de seu plano de investimentos de R$ 5 bilhões para o período entre 2007 e 2013, que inclui nove fábricas já em operação e outras cinco atualmente em construção.

De olho na demanda criada pelo programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, pela expansão do setor produtivo e por grandes projetos de infraestrutura, como a Hidrelétrica de Belo Monte, a Votorantim Cimentos anunciou ontem a construção de oito novas fábricas no País, ao custo de R$ 2,5 bilhões. Com o anúncio, a empresa completa a destinação de seu plano de investimentos de R$ 5 bilhões para o período entre 2007 e 2013, que inclui nove fábricas já em operação e outras cinco atualmente em construção. De acordo com o presidente da Votorantim Cimentos, Walter Schalka, o anúncio de um aumento no volume de investimentos até 2013 não está descartado. Quando as oito fábricas anunciadas ontem estiverem prontas, a Votorantim terá 35 unidades produtivas no Brasil. A capacidade produtiva da companhia, hoje de 27 milhões de toneladas de cimento por ano, vai subir cerca de 55% em pouco mais de três anos, atingindo 42 milhões de toneladas ao fim de 2013. A expansão contemplará sete Estados: Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Ceará, Bahia e Pará - o último receberá duas novas fábricas de cimento. A expectativa é que os projetos gerem cerca de 7 mil novos empregos. As unidades de menor porte, de 750 mil toneladas ao ano, localizadas no Ceará e no Maranhão, devem entrar em operação no ano que vem. As indústrias de maior capacidade (2 milhões de toneladas), em Goiás e Paraná, começam a funcionar em 2012. Expectativas. Schalka diz que a expectativa de crescimento da demanda pelo produto no Brasil para este ano é de 10%. Se a perspectiva se confirmar, o consumo per capita de cimento no País subiria de 280 quilos para 310 quilos por ano. Para os anos seguintes, o executivo prevê que a expansão acompanhe o crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB), projetado em cerca de 5%. A Votorantim concentra atualmente 40% do mercado de cimento no Brasil. Nos 12 meses encerrados em março, o País produziu 53 milhões de toneladas do produto, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). O executivo explica que os investimentos da Votorantim em novas unidades produtivas superam a expectativa de alta da demanda por cimento nos próximos anos. Segundo ele, a ideia é que a empresa esteja preparada para uma eventual surpresa positiva. Se o crescimento for em linha com o esperado, Schalka diz que a capacidade da companhia deverá ser de 15% a 20% superior ao consumo interno. Atualmente, a "folga" é mais apertada, calculada entre 5% e 10% acima da demanda. O executivo diz que uma condição para a instalação das oito novas fábricas foi a garantia de que a demanda de energia dos projetos fosse atendida. Ele ressalta, no entanto, que a companhia produz atualmente cerca de 60% da energia elétrica que consome. A empresa, que participa de instituições internacionais voltadas ao desenvolvimento sustentável, usa matérias-primas alternativas para abastecer algumas de suas unidades: em Porto Velho, pneus são usados como combustível; no Pará, há o aproveitamento de resíduos de castanha; em São Paulo, há a queima de lixo doméstico. Brasil vs. exterior. O executivo lembra que as quase 10 milhões de toneladas de cimento a serem produzidas pelas oito novas fábricas da Votorantim Cimentos vão mais do que compensar a perda de produção representada pelo repasse de três unidades brasileiras à francesa Lafarge, que têm capacidade total estimada em 2 milhões de toneladas por ano. Para crescer no mercado brasileiro, a Lafarge fez uma "permuta" com a empresa brasileira em fevereiro deste ano: trocou sua participação na cimenteira portuguesa Cimpor pelo aumento de capacidade no mercado local. Nesta quinta-feira, Schalka deve assumir uma das duas cadeiras da Votorantim na Cimpor. Entretanto, por determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a empresa fica proibida, ao menos por enquanto, de opinar sobre o destino das 5,5 milhões de toneladas de cimento produzidas pela Cimpor no Brasil. "Toda a vez que uma decisão sobre o Brasil for tomada, a Votorantim e a Camargo Corrêa vão sair da sala."

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