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O último dia do IV Congresso Brasileiro de Publicidade apresentou ao público os resultados das teses criadas durante as comissões, que discutiram temas importantes para o mercado da comunicação. Conseguimos fazer o Congresso que sonhávamos. Temos um volume muito grande de recomendações e decisões, tomadas pelas comissões. São propostas de mudança na legislação do setor da comunicação, afirmou Dalton Pastore, presidente do Congresso.

O Congresso também aprovou a proposta de criação de um fórum anual de comunicação, com a primeira edição marcada para maio de 2009.

Durante a plenária, os congressistas votaram as teses elaboradas pelas comissões, que abordaram temas como novas mídias e responsabilidade ambiental da propaganda. O destaque ficou para as aprovações em unanimidade das teses de "Comunicação Integrada", que propôs o capital humano como essência dos trabalhos no setor, e "Criatividade Brasileira", que sugeriu, entre outros pontos, a criação de um selo de criatividade nacional, substituindo o "made in Brazil" por "created in Brazil".

O presidente da comissão "Novas Mídias", Daniel Barbará, afirmou que existem novidades intermináveis de meios nessa área. "Nossas teses fazem a ponte entre a demanda e a oferta, ainda um pouco desorganizada, de meios digitais". Entre as recomendações aprovadas dessa comissão estão a criação de ferramentas técnicas para esse meio e a defesa da responsabilidade socioambiental e ética das novas mídias.

Gilberto Leifert, presidente do Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), relatou as teses promovidas pela comissão "Liberdade de Expressão Comercial". O documento abordou assuntos referentes à liberdade de criação e divulgação de informação sem a necessidade de licenças. "As leis existentes já são suficientes para a proteção do consumidor", disse Leifert ao ler uma carta direcionada ao público do Congresso, escrita pelos participantes da comissão.

Novas mídias requerem novo olhar

Outro ponto abordado intensamente no IV Congresso Brasileiro de Publicidade foi a importância do mercado da comunicação se adaptar às novas mídias. Uma das comissões, presidida por Daniel Barbará, presidente-executivo da Companhia Brasileira de Multimídia, constatou que é preciso desenvolver os novos meios e prepará-los para a disputa de mercado. O presidente da IAB Brasil, Paulo Castro, apontou as mudanças de comportamento do consumidor, que além de consumidor, também passa a ser produtor de conteúdo. "Hoje o consumidor assume o poder da comunicação", declarou Castro.

Em outra comissão, o presidente da Myers Publishing LLC, Jack Myers, afirmou que é preciso criar novas idéias e maneiras de se fazer negócio no mundo atual. "Depois de 100 anos, a produção de massa virou publicidade de massa. Precisamos criar novas maneiras de fazer negócio visando à manutenção da economia", disse ele. Myers também alertou para a série de mudanças que a tecnologia vem conduzindo e para a integração de múltiplas ferramentas de comunicação. "As relações estão mudando rapidamente, mais rápido do que a mídia e a publicidade, e as pessoas são a indústria, são o foco dos negócios", alertou.

As novas mídias também foram foco da comissão presidida por Nizan Guanaes, presidente da agência África. Ele ressaltou que a criatividade hoje tem que ser diferente, pois a forma de seduzir o consumidor torna-se cada vez mais complexa. "Não podemos nos viciar no comercial de 30 segundos e na página dupla. Hoje, as empresas que se 'desviciam' desses modelos são as que se destacam". No entanto, para ele, acabar com esses modelos não é prever o fim da TV ou mídia impressa - que podem ser potencializadas pelas novas tecnologias e por novas formas de fazer publicidade.

O Congresso

O IV Congresso Brasileiro de Publicidade foi realizado 30 anos depois de sua última edição, que culminou, em 1978, com a criação do Conar. Neste ano, o evento teve o futuro como tema e debateu as principais questões que afetam o setor, com líderes da indústria da comunicação brasileira.

A palestra inicial foi realizada pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Anna, que defendeu a liberdade de expressão e os direitos humanos. Na noite desta terça-feira, 15, a jornalista americana Judith Miller, ganhadora de prêmios como o Pulitzer, encerrou as palestras do Congresso falando sobre a importância da liberdade de imprensa. O presidente da editora Abril, Roberto Civita, e o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, também falaram para o público do evento, que reuniu cerca de 1500 pessoas.

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