Tamanho do texto

Virgin Galactic pretende oferecer viagens este ano, por R$ 370 mil; nos próximos anos, XCOR e Space Adventures começam a operar

Hangar da Virgin Galactic: em 2017, viagens deverão custar o mesmo que voo comum, diz agente especializado
Divulgação
Hangar da Virgin Galactic: em 2017, viagens deverão custar o mesmo que voo comum, diz agente especializado


Para viajar para o espaço, Catherine Culver foi pedir auxilio a um agente de viagens.

Os primeiros voos comerciais que irão levar turistas para o espaço devem decolar em 2012, e conseguir um assento em um deles não é tão diferente do que fazer uma reserva em um avião para uma viagem intercontinental. Você pode se inscrever no site da, digamos, Virgin Galactic, a mais proeminente das novas empresas de turismo espacial, ou ir a uma agência de viagens e realizar um depósito que irá custar um pouco caro. Em breve você será capaz de comprar um seguro de viagem, assim como para qualquer outro pacote de turismo.

Até agora, o turismo espacial tem sido exclusividade dos ultra-ricos: apenas sete pessoas pagaram dezenas de milhões de dólares para uma viagem para a Estação Espacial Internacional a bordo de um foguete russo. Mas isso pode mudar este ano, quando a Virgin Galactic pretende começar a oferecer voos exclusives para o espaço em um foguete que construiu especialmente para uma viagem com cinco minutos de gravidade zero durante um passeio que deve durar duas horas e meia. Por US$ 200.000 (ou R$ 370 mil) por assento, a última fronteira pode se tornar mais acessível para mais pessoas.

"Esperamos que no próximo Natal, eu, minha filha e meu filho sejamos as primeiras pessoas a ir para o espaço", disse Richard Branson, o dono da Virgin Galactic, em uma entrevista gravada em novembro.

Pelo menos duas outras companhias aéreas especializadas já aceitam reservas (e recebem depósitos) para futuros voos espaciais.

Imagem da SpaceShipTwo durante voo feito em maio do ano passado: últimos testes
Divulgação
Imagem da SpaceShipTwo durante voo feito em maio do ano passado: últimos testes
A Allianz, conhecida seguradora internacional, irá apresentar um seguro de vida para os aventureiros do espaço ainda este ano, fornecendo ao turismo espacial as mesmas condições que oferece para a indústria de turistmo comum.

"Só de sermos capazes de vender pacotes de viagens para o espaço como parte do dia-a-dia de nosso negócio já é algo realmente muito legal.” Disse Lynda Garrett Turley, presidente da Alpine Travel de Saratoga, na Califórnia, que é uma das 58 agentes credenciadas pela Virgin Galactic nos Estados Unidos.

No prazo de cinco anos, ela já vendeu três lugares, incluindo o de Culver. Mas ela espera que uma vez que os passageiros iniciem suas visitas ao espaço, eles possam então espalhar a notícia para seus amigos.

Em 2017, "provavelmente será a mesma coisa que agendar um voo para Los Angeles," Garrett previu.

Culver, que já trabalhou como controlador de missão na Nasa e agora dá palestras motivacionais, sempre quis ir ao espaço, ela se inscreveu quatro vezes para tornar-se astronauta da Nasa, mas não conseguiu.

Para reservar seu voo espacial, ela queria conversar com alguém pessoalmente, cara a cara, então procurou na lista de agentes da Virgin Galactic e teve o prazer de encontrar uma que operasse perto de sua casa em San Jose, na Califórnia. Ela e Garrett passaram algum tempo conversando, então saíram para almoçar e conversaram um pouco mais.

Logo depois, Culver efetuou o depósito de US $ 20.000, tornando-se uma das 475 pessoas que têm um lugar reservado em um voo da Virgin Galactic. A maioria deles já pagou o valor total da passagem para subir a uma altitude maior que 100 quilômetros que é considerada a entrada para o espaço sideral. (Pessoas que pagam integralmente terão acesso aos primeiros assentos.)

- LEIA TEMBÉM: Cofundador da Microsoft desenvolverá nave espacial gigante

Esses voos não vão orbitar a Terra. Na verdade, eles serão apenas voos verticais "suborbitais" mais parecidos com um passeio de uma montanha russa gigante, oferecendo cerca de cinco minutos de ausência de peso no seu ápice. A viagem não é para os fracos do estômago: a Nasa costumava treinar astronautas em um avião que efetuava rápidos mergulhos com intervalos de ausência de peso e que foi apelidado de “Cometa do Vômito” - aparentemente por uma boa razão.

Para os clientes da Virgin, o passeio ao espaço também fará parte de um pacote de três dias para o recém-construído Spaceport America, em Las Cruces, Novo México, aonde parte do tempo será gasto em treinamento e preparação e a outra parte terá foco na diversão. "Bem típico da Virgin, haverão festas o tempo inteiro", disse Garrett.

No terceiro dia, um avião de transporte com o foguete SpaceShipTwo acoplado irá decolar e irá voar até atingir 50.000 pés, de onde o foguete será lançado.

Nessa altura da viagem, a força de aceleração irá pressionar os passageiros profundamente em suas cadeiras - alguém que pesa 70 quilos irá se sentir como se pesasse meia tonelada. Em seguida, o barulho do motor vai desaparecer no silêncio, o céu azul se tornará preto e então a gravidade irá desaparecer também.

"Você vai ser capaz de tirar seu cinto de segurança em gravidade zero, flutuar pela cabine, dar cambalhotas, tirar fotos com a curvatura da Terra em segundo plano", disse Garrett.

Depois disso, os passageiros retornarão para seus lugares antes da SapceShipTwo reentrar na atmosfera, exercendo mais alguns minutos de forças esmagadoras. Uma vez que diminuir sua velocidade, ela irá planar de volta até a pista de aterrissagem.

Para Culver, o vôo da Virgin vai ser um sonho realizado, mesmo que este seja um sonho caro. "Na Califórnia, seria a mesma coisa que comprar uma casa", disse ela.

Sonhos de ser astronauta poderão estar ainda mais ao alcance das pessoas caso os preços caiam mais ainda. Além de Branson, alguns empresários ricos criaram empreendimentos que incluem Elon Musk, da SpaceX e, mais recentemente, Jeffrey P. Bezos (fundador da Amazon.com) e Paul G. Allen (um dos fundadores da Microsoft). As empresas mais novas estão mais voltadas para o transporte de satélites para órbita e conseguir contratos com a Nasa, mas indicaram que as viagens de passageiros podem, eventualmente, fazer também parte do plano.

A Virgin Galactic não é a única com clientes. A XCOR Aerospace de Mojave, localizada na Califórnia, tem mais de 100 reservas para um assento custando US$ 95.000 (R$ 175 mil) em seu pequeno avião que deverá ir ao espaço, com apenas dois lugares - um para o piloto e outro para o passageiro. A XCOR pode começar a voar no início de 2013.

A Space Adventures Ltd. de Viena, Virginia, que tem feito reservas de assentos já faz algum tempo a US$110.000, conseguiu reservas de mais de 200 pessoas. Sua empresa parceira, a Armadillo Aerospace de Heath, Texas, planeja construir uma nave espacial automatizada - sem piloto - que poderá levar até duas pessoas por vez.

Um cliente da Space Adventures que fez um depósito a mais de uma década atrás é Madsen Pirie, um pesquisador britânico que fundou o Instituto Adam Smith, um think tank dedicado a política do live mercado. "Eu fui a primeira pessoa na Grã-Bretanha a se inscrever", disse ele.

Ele está desapontado que sua espera tenha sido estendida – a Space Adventures ainda não definiu uma data para o início de seus voos suborbitais -, mas não se arrepende. "Tem sido uma história de esperança adiada", disse Pirie. "Eu vou ficar imensamente feliz quando minha vez chegar."

Como um sinal de que as coisas estão crescendo a, Allianz, que tem um negócio de seguro de viagem que vale cerca de US$ 1 bilhão por ano, anunciou recentemente que iria oferecer seguros a clientes da Virgin Galactic para cobrir uma série de problemas possíveis, incluindo cancelamentos de última hora e cobertura para problemas médicos antes ou depois do voo.

"Quando levantou-se a questão de saber se iríamos oferecer seguro de viagem espacial pela primeira vez, dissemos que não passava de uma piada", lembrou Erick Morazin, diretor de contas mundiais na Allianz.

Atualmente, a Virgin Galactic, a XCOR e a Space Adventures reembolsam quase todos os depósitos se alguém quiser cancelar, mas Morazin disse que talvez suas políticas possam ser menos flexíveis no futuro.

"Nós vamos estar preparados para esse momento", disse ele.

    Leia tudo sobre: inovação