O volume financeiro emprestado por meio de crédito consignado para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) somou R$ 2,16 bilhões em janeiro deste ano. O montante é 118,6% maior do que o liberado no mesmo período do ano passado, que foi de R$ 990 milhões.

Em comparação com 2008, a diferença da soma de recursos liberados para o mês é de 360%, pois os empréstimos somavam R$ 469 milhões.

O crescimento dessa modalidade de empréstimo é atribuído às mudanças realizadas no ano passado, como a ampliação do limite de comprometimento da renda - que passou de 20% para 30% do valor recebido mensalmente como aposentadoria ou pensão - e redução do teto de juros para esse tipo de crédito - que passou de 2,50% ao mês para 2,34%. Mas nem todos os bancos chegam a cobrar a taxa máxima, pois dos 53 listados pela Previdência, 15 operam abaixo desse patamar. "Foram formas de incentivar o aposentado e o pensionista a tomarem mais empréstimos", explica Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac).

Oliveira ainda aponta o endividamento causado pelas contas de fim de ano e ainda o trabalho cada vez mais intenso dos grandes bancos em oferecer esse tipo de empréstimo.

Em comparação com dezembro do ano passado, o número de operações cresceu 73,1% - de 652,6 milhões no último mês de 2009 para 1,13 bilhão de contratos no primeiro mês deste ano. Já em volume financeiro, o aumento registrado foi de 17,8%, pois dezembro somou R$ 1,83 bilhão em créditos consignados para aposentados e pensionistas.

O Estado de São Paulo é o líder nacional em valor e quantidade de operações. Foram 239 mil contratos que emprestaram R$ 548 milhões no período. O Estado corresponde à metade do crédito consignado liberado no mês na Região Sudeste.

Balanço
Em janeiro, a maioria dos que tomaram crédito recebe até um salário mínimo. Essa faixa salarial movimentou R$ 1,01 bilhão em 721 mil contratos realizados no período. A maior parte dos tomadores de crédito contratou o parcelamento de 49 a 60 meses, com R$ 1,75 bilhão emprestado, o prazo mais longo permitido para esse tipo de crédito.

Já na divisão por faixa etária, os aposentados e pensionistas com idade entre 60 e 69 anos foram os principais interessados, tendo movimentado R$ 793 milhões em 419 mil contratos.

Na comparação entre os meses de janeiro, o balanço mostra que o beneficiário do INSS está deixando de utilizar o cartão de crédito para conseguir os recursos e dá preferência para o empréstimo pessoal. O número de operações com cartão caiu 81,1%.

Os especialistas alertam que o aposentado e pensionista que quiser tomar crédito deve comparar as taxas de juros oferecidas pelos bancos e analisar a necessidade do empréstimo, já que parte da renda será comprometida com ele. "Tem de pesquisar juros e parcelas que caibam no bolso. Mesmo que o máximo de comprometimento da renda seja 30%, busque não passar dos 20% para não ter as finanças prejudicadas", diz Paulo Palombo, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).

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