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SÃO PAULO - A BM & FBovespa registrou uma queda próxima a 40% no volume de contratos de derivativos negociados nos sete primeiros pregões do mês de novembro, na comparação com a média apurada nos três meses anteriores. Apesar disso, a companhia olha com otimismo para o desempenho dos negócios no quarto trimestre deste ano e em 2009, sentimento motivado principalmente pelas perspectivas de corte de despesas.

Na avaliação do presidente da bolsa, Edemir Pinto, o agravamento da crise financeira internacional está levando o mercado a uma ressaca, que está ocorrendo em novembro. Ele informou que o volume de derivativos de câmbio caiu ainda mais nos sete primeiros pregões do mês, algo próximo a 50%.

Mesmo assim, a empresa aposta no fortalecimento de sua estrutura e no enxugamento dos custos para estar "mais forte do que nunca" no momento em que a crise amainar. A meta da diretoria é implementar sinergias da ordem de R$ 131 milhões até o final de 2010. Os principais alvos para redução de despesas serão os segmentos de tecnologia da informação e de marketing, já que o corte de pessoal referente à fusão das duas bolsas já foi praticamente concluído.

A empresa prefere, contudo, não arriscar um palpite sobre prazos para o arrefecimento da turbulência. "Dizer o que a gente acha seria prever o imprevisível", disse o diretor de Relações com Investidores da BM & F Bovespa, Carlos Kawall, parafraseando o comentário lido em relatório de um banco.

Mais enxuta, a bolsa brasileira também espera se beneficiar do novo cenário regulatório esperado para as operações de balcão, protagonistas de grandes perdas financeiras registradas por empresas após o agravamento da crise. Na opinião de Edemir, as bolsas poderão absorver boa parte da negociação desses instrumentos financeiros, aumentando substancialmente suas receitas.

"Os mercados de balcão estão sendo discutidos. Devem definir uma série de regulações. Não tenho dúvida de que o modelo de bolsa será beneficiado pela migração desses volumes do balcão para o ambiente de bolsa", disse o executivo.

(Murillo Camarotto | Valor Online)