Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O volume de crédito concedido pelas instituições financeiras no país cresceu 14 por cento na primeira metade do ano, o que reforça uma das principais preocupações do Banco Central em relação ao aquecimento da demanda e consequente pressão sobre os preços.

Em junho, as operações de crédito oferecidas pelo sistema financeiro somaram 1,067 trilhão de reais, um aumento de 2,1 por cento em relação a maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo BC. Em 12 meses, a expansão do crédito foi de 33,4 por cento.

'As operações de crédito do sistema financeiro mantiveram, em junho, a trajetória de expansão observada ao longo do ano, evidenciando, entretanto, desaceleração no ritmo de crescimento dos financiamentos contratados com pessoas físicas, exceto das operações de arrendamento mercantil relacionadas a veículos', detalhou o BC em nota.

O setor automotivo foi um dos principais beneficiados pelo bom ritmo de crescimento da economia ao longo do primeiro semestre, período em que foram registrados novos recordes de vendas e produção de veículos no país.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta aumento de 24,2 por cento nas vendas de veículos em 2008 frente ao ano passado. Em termos de produção, a expectativa é de avanço de 15 por cento.

O montante de crédito em junho era equivalente a 36,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), uma leve alta em relação ao volume revisado de maio, de 36,3 por cento do PIB.

DE OLHO NO PREÇO

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC vem destacando em seus comunicados que o rápido crescimento do crédito tem sido um dos principais propulsores da atividade e a demanda 'robusta' tem respondido, ao menos em parte, pelas pressões inflacionárias.

Para conter a alta dos preços, o Copom iniciou em abril um ciclo de aperto monetário --que foi engrossado na semana passada, quando a taxa básica de juro foi elevada em 0,75 ponto percentual, para 13,0 por cento ao ano, superando as expectativas da maioria dos analistas.

O aumento da Selic, que subiu 1,75 ponto percentual de abril até agora, já gerou efeitos sobre as taxas cobradas pelos bancos.

A taxa média de juro praticada em junho subiu para 38,0 por cento ao ano, frente a 37,6 por cento em maio.

O spread bancário, que representa a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes, manteve-se em 24,5 pontos percentuais.

Para as pessoas físicas, o juro médio praticado em junho ficou em 49,1 por cento ao ano, enquanto a taxa cobrada das empresas atingiu 26,6 por cento ao ano.

'O custo médio dos empréstimos para as famílias apresentou um incremento de 1,7 ponto percentual no mês... o movimento foi condicionado, principalmente, pelas altas... nas taxas do cheque especial e do crédito pessoal', afirmou o BC.

O juro médio cobrado pelos bancos no cheque especial --a modalidade de crédito mais cara do mercado-- atingiu 159,1 por cento ao ano em junho.

(Texto de Renato Andrade; Edição de Daniela Machado)

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