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SÃO PAULO - A avaliação pessimista sobre a atividade econômica mundial fez os principais índices acionários de Nova York fechar em forte queda, após cinco pregões seguidos de valorização. Ações dos ramos financeiro, tecnológico e ligados a commodities tiveram os piores desempenhos.

Ao fim do dia, o índice Dow Jones das 30 principais ações registrou baixa de 7,7%, aos 8.149 pontos. O Standard & Poor´s 500 perdeu 8,93%, para 816 pontos e o Nasdaq declinou 8,95%, encerrando aos 1.398 pontos.

Dados sobre a indústria de transformação que apontaram a retração dessa atividade nos Estados Unidos, China, Europa e Inglaterra. Além disso, houve queda de 1,2% nos gastos com construção nos EUA em outubro.

Esses números alimentaram as especulações sobre a intensidade e a duração da crise financeira global e seu efeito negativo sobre a economia real. Como evidenciaram o freio na produção industrial, os dados fizeram cair a cotação das commodities e, por consequência, das ações de indústrias pesadas e produtores de itens básicos. A Alcoa perdeu 13,5%, a Caterpillar, que faz máquinas e escavadeiras, recuou 10,8% e a General Electric caiu 9,7%.

Mais uma previsão da analista Meredith Whitney, da Oppenheimer Co., derrubou as ações do setor financeiro. Famosa por ter acertado as projeções de perdas do Citigroup, Meredith desta vez estimou que empresas de cartões cortarão quase pela metade os recursos disponíveis para crédito ao consumidor, um valor que superaria US$ 2 trilhões. Essa análise, junto aos dados fracos de atividade econômica, produziu uma forte baixa em ações como as do Citigroup (-22,2%), Bank of America (-20,9%), JP Morgan (-17,5%) e American Express (-15,7%).

As bolsas de valores da Europa fecharam em forte queda nesta segunda-feira, pressionadas pelas ações de bancos e empresas ligadas ao setor de commodities. Os negócios foram impactados por preocupações sobre a prolongada desaceleração global, e a demanda mais fraca por petróleo e metais afetou o humor dos mercados.

As commodities se desvalorizavam, seguindo perdas de 8% no preço do petróleo e queda de 2,8% no preço do alumínio, juntamente com preocupações sobre o crescimento global.

" A perspectiva a curto prazo será muito difícil, dada a fragilidade da perspectiva de crescimento, queda de rentabilidade e o derretimento do mercado de trabalho " , disse Henk Potts, estrategista do Barclays Stockbrokers. " O que o mercado precisa ver é a implicação prática das medidas que foram anunciadas agindo diretamente no sistema e tendo um resultado positivo. "
Mineradoras também registraram desvalorização, com BHP Billiton, Anglo American, Vedanta Resources, Lonmin, Kazakhmys, Xstrata, Antofagasta e Rio Tinto fechando o dia com perdas.

Em Londres, o índice Financial Times fechou em queda de 5,19%, a 4.065 pontos. O DAX, de Frankfurt, recuou 5,88%, para 4.394 pontos. Na bolsa de Paris, o CAC-40 caiu 5,59%, para 3.080 pontos. A baixa foi de 5,36% no Mibtel, de Milão. Em Madri, o Ibex-35 caiu 4,49, ao passo que o PSI20, de Lisboa, registrou recuo de 1,40%.

(Valor Online e Valor Econômico, com agências internacionais)