Viena, 21 jan (EFE).- A volta do gás russo depois do acordo entre Moscou e Kiev devolveu o calor a muitos lares da Europa do Leste e dos Bálcãs, além de aliviar a indústria, que havia restringido ou paralisado sua atividade, o que não impediu Governos e pessoas de clamar por indenizações.

Uma vez que a calefação voltou a funcionar, na Bulgária e Eslováquia começaram a se ouvir vozes exigindo indenização pelos danos causados a suas economias, enquanto outros países, como Croácia e Eslovênia, estudam fórmulas para diversificar o abastecimento.

A Bulgária, que cobre mais de 90% de suas necessidades energéticas com a importação de gás russo, é o país europeu que mais sofreu pelo corte da distribuição desde 6 de janeiro.

Durante as duas semanas que durou a denominada "guerra do gás", as temperaturas na Bulgária chegaram a -14ºC graus, e os lares, privados de calefação, sofreram cotas de até 10ºC.

Enquanto o Ministério da Economia e Energia anunciou que no final do dia já é possível que se anulem todas as restrições impostas ao consumo, começaram a ecoar as vozes que exigem compensação.

"Em dez dias tive que pagar 100 levas (50 euros) a mais por eletricidade consumida porque tive que ligar duas estufas mais. Quem me compensará pelas despesas adicionais? Gazprom? Naftogaz? Ou o Governo búlgaro? Não acho. E não sou só eu. mais de 2 milhões de pessoas passam pela mesma situação", afirmou Petar Boychev, um conhecido intelectual búlgaro.

A Bulgária, que consome cerca de 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia, precisou limitar seu consumo a um terço, com suspensão de aulas, paralisações na indústria e restrições inclusive nos hospitais.

A Eslováquia revogará na sexta-feira o estado de emergência, vigente desde 6 de janeiro passado, quando se reduziu drasticamente o abastecimento de gás russo, anunciou hoje o ministro da Economia Lubomir Jahnatek.

A chegada de gás no domingo permitiu ao governo eslovaco revogar as severas restrições de consumo e a volta à normalidade nas grandes indústrias, como US Steel, a refinaria Slovnaft, e as montadoras de automóveis Volkswagen SK, PSA Peugeot Citroën e Kia Motors.

"As grandes empresas, que podem hoje de novo consumir gás sem restrições, retomaram a produção sem problemas", indicou na segunda-feira Jahnatek.

A Eslováquia avaliará também as perdas econômicas para iniciar, com o apoio da União Europeia, um requerimento de indenização.

A Hungria, por sua vez, após quase duas semanas receberá hoje até 34 milhões de metros cúbicos de gás russo, a quantidade habitual, através da Ucrânia.

O primeiro-ministro, Ferenc Gyurcsány, que se encontra em Omã, no Oriente Médio, pediu alternativas no fornecimento de gás e acrescentou que "é inaceitável" que as discussões entre Moscou e Kiev "ponham em uma situação tão difícil" a economia e as famílias européias.

Durante as duas semanas de crise, as maiores fábricas da Hungria recorreram ao uso de petróleo e carvão, aumentando significativamente a poluição nas cidades industriais.

Na Sérvia, se restabeleceu hoje totalmente o abastecimento, e se espera durante o dia a normalização da distribuição do gás a todos os consumidores no país, confirmou a companhia estatal Srbijagas.

A Sérvia receberá 10 milhões de metros cúbicos diários de gás, e, embora em um primeiro momento a situação tenha se agravado, com dezenas de milhares de pessoas sem calefação, sob temperaturas geladas, os envios urgentes de combustível que Belgrado adquiriu de das reservas húngaras e da Alemanha atenuaram a crise.

A crise do gás causou na Sérvia uma série de críticas às autoridades pela falta de reservas próprias suficientes e de instalações para usá-las.

Na Eslovênia e Croácia, o abastecimento de gás também voltou à normalidade, mas as autoridades anunciaram que buscarão rotas alternativas para poder responder a situações como esta no futuro.

O gás à Romênia também flui, segundo informou a companhia estatal Transgaz. O país, que importa 10 milhões de metros cúbicos de gás diários da Rússia, foi um dos menos afetados, ao poder cobrir a falta de fornecimento de forma alternativa e com abastecimento próprio.

Na Turquia, o gás russo também começou a chegar hoje, confirmou hoje à Agência Efe fontes da companhia estatal Botas. EFE vie-ll/jp

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