A Volkswagen, maior fabricante de carros do País, vai negociar com os metalúrgicos das quatro fábricas do grupo a flexibilização das normas trabalhistas a partir de janeiro. Segundo o presidente da montadora, Thomas Schmall, a redução da jornada semanal é uma das propostas possíveis.

A companhia foi a primeira a adotar medidas flexíveis no fim dos anos 90, quando a indústria automobilística enfrentava crise de vendas.

A maior parte dos 22 mil trabalhadores da Volkswagen está em férias coletivas e retorna no dia 5. Schmall vai esperar até meados de janeiro para analisar a situação do mercado e definir o programa produtivo para o primeiro trimestre. Até lá, será possível avaliar os resultados das medidas anunciadas pelo governo federal, como a redução do IPI para carros novos.

"Normalmente no fim do ano vendemos mais do que no início do ano, por isso não faz sentido trabalhar a mesma quantidade de horas nos dois períodos", disse o Schmall.

Outro executivo da área da Recursos Humanos da Volks lembrou que o banco de horas, adotado há vários anos, tem limite de 12 meses para ser compensado e mudar essa regra jurídica seria outra alternativa.

Para o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Francisco Duarte de Lima, o mais importante é a busca de alternativas para garantir empregos. "Queremos que os trabalhadores retornem no dia 5 tranqüilos". Uma das propostas a ser apresentada, disse ele, é a reabertura de programas de demissão voluntária para aposentados e trabalhadores com doença profissional.

Além de mudanças na legislação que facilitem acordos trabalhistas - tema levado pelos empresários ao presidente Lula na semana passada -, Schmall informou que o setor espera outras mudanças para ajudar na retomada do mercado.

"A redução do IPI é boa para o curto prazo, mas para o longo prazo precisamos de medidas como maior redução dos juros e menor carga tributária", disse Schmall. As vendas de carros caíram 11% em outubro e 25% em novembro. Neste mês, os negócios estavam em baixa nos primeiros dias, mas o corte do IPI para modelos 1.0 e a redução pela metade da alíquota para modelos mais potentes pode reverter o quadro. Só a Volks vendeu 4,4 mil carros no primeiro fim de semana de vigência da medida. A GM vendeu 1, 3 mil unidades no feirão em São Caetano.

A Volks manterá o investimento anunciado para novos produtos no período 2007-2011. Já o aporte previsto para ampliação de capacidade produtiva pode ser postergado. A área de produtos fica com dois terços dos R$ 3,2 bilhões previstos no plano. Só em 2009 serão apresentadas 16 novidades, duas delas no segmento de comercias leves. "Em tempos de crise, é preciso acelerar lançamentos", disse Schmall.

Sobre a venda da divisão de caminhões e ônibus feita pela matriz alemã ao grupo MAN, o executivo afirmou que a unidade brasileira "era o único negócio no mundo e, para crescer, não se pode ficar numa ilha".

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