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Vítimas de fraude de megainvestidor americano começam a contabilizar perdas

Mar Gonzalo. Nova York, 15 dez (EFE).- A vinda à tona do esquema de fraude montado pelo administrador de fundos de investimentos Bernard Madoff, o maior pelo método de pirâmide financeira do qual se tem notícia, não pára de expor suas vítimas, que vão do cineasta Steven Spielberg a dezenas de bancos e milhares de investidores da Europa e da Ásia.

EFE |

Embora o próprio Madoff, detido na quinta-feira passada, tenha dito que seus clientes não passavam de 30, centenas de investidores já fazem contas para saber quanto dinheiro podem perder.

"Alguns dos maiores bancos e fundos estão se somando à lista de afetados, além das muitíssimas histórias de investidores particulares e de pessoas com grandes fortunas que confiaram em Madoff, uma verdadeira lenda em Wall Street, e que agora perderão tudo", comentou hoje David Faber, analista da rede de TV "CNBC".

Entre os que já tinham investimentos com Madoff, surpreende o grande número de entidades européias: dos bancos franceses BNP Paribas, Crédit Agricole e Société Générale, aos italianos Unicredit e Banco Popolare, passando pelos britânicos Royal Bank of Scotland, HSBC e Man Group.

Na Suíça, fala-se de US$ 4,2 bilhões investidos por bancos e famílias no fundo de Mrdoff, enquanto na Espanha tiveram perdas o Santander, o BBVA e os bancos March, Banesto e Caja Madrid, entre muitos outros.

"Provavelmente é o maior escândalo na história dos mercados", disse Nicola Horlick, da administradora Bramdean Alternatives, já que afetou entidades até da Ásia, como o grupo financeiro japonês Nomura, que pode ter um prejuízo de mais de US$ 300 milhões.

Nos Estados Unidos, obviamente, as vítimas são muito mais numerosas, e, entre elas, estão investidores de todo tipo, como o cineasta Steven Spielberg, cuja Fundação Wunderkinder tinha confiado uma série de ativos a Madoff.

Entre os lesados há outros multimilionários, como o proprietário da equipe de beisebol New York Mets, Fred Wilpon; o ex-dono do time de futebol americano Philadelphia Eagles, Norman Braman; o proprietário do "New York Daily News", Mortimer Zuckerman; e o presidente do conselho da GMAC, o braço financeiro da General Motors, Ezra Merkin.

Com estreitos laços com a poderosa comunidade judaica nova-iorquina, Madoff, de 70 anos, também prejudicou muitas pessoas e sociedades dessa origem, como as fundações Robert I. Lappin Charitable, que financia viagens de jovens judeus a Israel; a Chais Family Foundation, que defende causas judaicas no exterior; e a Elie Weisel, para sobreviventes do Holocausto.

Supostamente responsáveis pela denúncia que levou à descoberta do esquema de fraude, os filhos do financista agora são vítimas de todo tipo de ameaças, diz o "The Wall Street Journal".

Também por causa do golpe, o escritório do megainvedtidor no edifício Lipstick, um dos mais famosos de Manhattan, está sendo vigiado 24 horas por dia, para evitar o roubo de provas ou fundos ligados a uma fraude que, segundo Madoff, pode chegar a US$ 50 bilhões.

Se as autoridades americanas já vinham sofrendo ataques por causa da crise financeira internacional, aumentaram ainda mais as críticas aos órgãos reguladores americanos, que parecem ter sido pegos de surpresa pela fraude, embora há indícios de que ela vinha sendo praticada há quase duas décadas.

O analista americano Bill Griffeth dizia hoje que um dos grandes problemas foi que, para as autoridades, "era incômodo questionar Madoff" sobre a transparência de suas contas, dada sua reputação e contatos.

"Os números não param de crescer e realmente podem se aproximar dos US$ 50 bilhões" aos quais Madoff se referiu ao confessar a seus filhos que seu império não era mais que uma gigantesca pirâmide, disse Faber nesta segunda-feira.

Um sistema de investimentos piramidal promete alta rentabilidade sem um negócio real que o respalde, pois os ganhos dos primeiros a investir são pagos com as contribuições dos novos investidores.

Madoff agorá esperará até o fim da semana para ouvir as acusações que serão feitas pela Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos).

A agência reguladora, criada após o crack de 29, processará Madoff na esfera cível, enquanto o Departamento de Justiça acionará o megainvestidor pela via penal, em um processo que promete ser longo e complexo. EFE mgl/sc

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