SÃO PAULO (Reuters) - Antecipando-se a mudanças regulatórias do governo para ampliar a concorrência no setor de cartões, a VisaNet anunciou nesta terça-feira que passará a se chamar Cielo, em meio à campanha para fazer-se conhecida como empresa multibandeiras. Quando o mercado passa por mudanças, temos que refazer as estratégias, disse o presidente da companhia, Rômulo de Mello Dias, a jornalistas.

O contrato de exclusividade para lojistas receberem cartões Visa, que dura desde o início das operações da companhia, há 13 anos, e que a ajudou a firmar-se na liderança do setor no país, vence em julho de 2010.

Visualizando um mercado com mais competidores --Redecard, hoje única credenciadora dos cartões MasterCard, e VisaNet detêm mais de 90 por cento do setor--, a empresa já se prepara para um cenário em que o fator decisivo de sobrevivência será a combinação de preço e serviços.

Nesse aspecto, a mudança de nome é parte da estratégia de desvincular-se da inevitável associação à marca Visa, uma vez que a credenciadora já se prepara para trabalhar com outras marcas.

Além de operar com 89 diferentes cartões de redes de varejo (private label), a companhia já opera com a marca American Express e pode nos próximos meses fazer o mesmo com a bandeira Dinners. De acordo com Dias, as tratativas com a MasterCard ainda não começaram.

"Ficaria inapropriado continuar usando o nome VisaNet", apontou Dias.

Em paralelo, a agora Cielo deve lançar em breve programas visando a fidelizar lojistas. Um deles, batizado de plataforma promocional, permitirá parcerias para oferecer prêmios e descontos a consumidores. O projeto entra em vigor gradualmente a partir de 2010.

"Temos que falar a linguagem do comércio", disse Eduardo Chedid, diretor de soluções em negócios da companhia.

Embora evite falar a respeito, a Cielo admite que terá de enfrentar a principal fonte de reclamações dos lojistas, o preço de uso dos terminais (POS).

De acordo com Dias, a taxa média cobrada dos lojistas gira em torno de 2,5 por cento do valor das compras pagas com cartões. Segundo ele, esse índice é pouco superior à taxa praticada nos Estados Unidos, de 1,9 por cento.

"Pode ser (que tenha de reduzir os preços). Tem de ver como o mercado vai se comportar", disse Dias. "Mas não é só preço, tem de ter soluções para os lojistas", acrescentou.

A campanha, que começa neste final de semana nas mídias impressa e eletrônica, contará futuramente com o campeão olímpico César Cielo como garoto-propaganda.

(Reportagem de Aluísio Alves)

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