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Vilões da inflação até agora, preços dos alimentos começam a cair

RIO - Os alimentos, que durante boa parte do ano contribuíram para o crescimento das taxas de inflação, começam a ajudar na desaceleração dos índices de preços. O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu para 1,12% em julho, contra 1,89% em junho, com destaque para os preços do atacado, que respondem por 60% do IGP-DI e passaram de 2,29% para 1,28% no mesmo período.

Valor Online |

Dentro do Índice de Preços por Atacado (IPA) o principal destaque ficou por conta dos alimentos in natura, que saíram de uma alta de 5,64% em junho para uma queda de 2,54% no mês passado. Neste grupo, os principais destaques foram o feijão, com queda de 7,57% depois de subir 23,82% em junho, e a batata inglesa, que passou de alta 3,60% para queda de 8,11% no mesmo período.

Essas quedas já chegam quase instantaneamente ao varejo, frisa Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), responsável pelo IGP-DI.

Quadros destaca também a desaceleração das carnes dentro de alimentos processados. Nesse grupo, que desacelerou de 1,68% para 1,25% entre junho e julho, a carne bovina passou de 9,47% para 2,68% e as aves abatidas e frigorificadas passaram de alta de 4,06% para 2,67% entre junho e julho. O óleo de soja refinado também mostrou tendência de baixa e passou de um recuo de 0,89% em junho para queda de 1,22% no mês passado.

As quedas no atacado também aconteceram entre as matérias-primas brutas, que desaceleraram de 3,33% em junho para 1,39% em julho. A soja, embora ainda tenha subido 2,01%, ficou bem abaixo dos 10,17% de junho, enquanto o trigo passou de queda de 2,47% para baixa de 5,68%. Já o leite in natura caiu 2,59%, depois de subir 0,56% em junho.

O preço da soja está caindo e é possível que apareça negativo nos próximos IGPs. Já a queda do trigo se aprofunda e o varejo deve se aproveitar disso e da queda do leite no futuro, pontuou Quadros, lembrando que as matérias-primas brutas responderam por 0,54 ponto percentual do 1,01 ponto percentual de desaceleração do IPA em julho.

O analista acredita que o resultado de julho inicia um processo de desaceleração dos IGPs. Em 12 meses, o índice acumula 14,81%, o maior patamar desde os 15,77% de outubro de 2003, mas Quadros frisa que, com a tendência desaceleração, a expectativa é de que a variação do indicador em 12 meses fique abaixo do índice atual pelos próximos dois meses, quando serão substituídas taxas de 1,35% e 1,17%, relativas a agosto e setembro do ano passado.

No varejo, o grupo alimentação contribuiu com 0,28 ponto percentual de desaceleração para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). A contribuição foi maior que a própria desaceleração do IPC, que passou de 0,77% em junho para 0,53% em julho.

Entre os destaques ficaram o arroz e feijão, que subiram 11,18% em junho e avançaram 2,29% no mês passado, e com hortaliças e legumes, que passaram de uma alta de 0,83% em junho para queda de 1,66% em julho.

Mas o economista pondera que a desaceleração não significa o fim de pressões de inflação.

Não é por causa de um resultado bom que o processo inflacionário acabou, já que a demanda e a utilização da capacidade continuam fortes. O processo inflacionário que o Banco Central acompanha ainda não está resolvido, afirmou Quadros.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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