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Vicunha negocia com bancos liquidação de derivativos

A Vicunha Têxtil está negociando com bancos a liquidação antecipada de operações de derivativos cambias. A empresa já liquidou operações com o Banco Merrill Lynch e proibiu expressamente, em deliberação de assembléia de seu Conselho de Administração, que os membros da diretoria assinem qualquer novo contrato de derivativos com o Merrill Lynch ou com qualquer outra instituição financeira.

Agência Estado |

A revelação da alta exposição da companhia a essas operações levou à renúncia, no dia 12 de setembro, da Diretora de Relações com Investidores da companhia, que foi quem assinou os contratos firmados com o Merrill Lynch. Os demais contratos haviam sido assinados diretamente pelo empresário Ricardo Steinbruch, diretor-presidente da companhia e presidente do Conselho de Administração.

As perdas com essas operações podem chegar a US$ 150 milhões, revelam fontes do mercado. A maior exposição da companhia era justamente com o Merrill Lynch.

Essas posições foram totalmente liquidadas no dia 12 de setembro, conforme consta em ata de reunião publicada no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com as mesmas fontes, a liquidação antecipada teria levado a uma perda de US$ 80 milhões. A empresa possui ainda posições em aberto com o Citi e o Itaú BBA, que poderão levar a um prejuízo da ordem de US$ 70 milhões.

A deliberação do conselho - formado por Ricardo Steinbruch, Elisabeth Steinbruch Schwartz e Luiz Rodrigues Corvo - proibindo novos contratos de derivativos aconteceu no dia 15 de setembro, três dias depois da renúncia da diretora, substituída por Reinaldo José Kröger.

Procurada, a Vicunha não quis se manifestar sobre o assunto. Declarou estar em período de silêncio até o dia 14, quando será divulgado o balanço relativo ao terceiro trimestre. Merrill Lynch, Itaú BBA e Citi também foram procurados, mas não quiseram comentar as informações.

A empresa possui aproximadamente 40% de suas receitas atreladas à exportação e vinha sofrendo com a valorização do real ante o dólar e com a competição com tecidos fabricados na China. Com esse cenário, a Vicunha viu a sua receita encolher nos últimos anos. A empresa, que faturou R$ 1,67 bilhão em 2005, caminha este ano para algo em torno de R$ 1 bilhão. A receita acumulada no primeiro semestre foi de R$ 542 milhões.

Grandes grupos brasileiros, como Sadia, Aracruz e Votorantim, já anunciaram perdas bilionárias com essas operações de derivativos cambiais, apelidados pelo mercado de derivativos tóxicos ou tarja preta.Grandes exportadoras, essas empresas buscaram nos bancos instrumentos para se protegerem de perdas com a valorização do real.

No entanto, diferentemente de operações de hedge (proteção) cambial puras, esses derivativos, chamados de Tarn (abreviação de Target Accrual Redemption Note), remuneram melhor em um cenário de real valorizado, mas oferecem, em contrapartida, um risco exponencial em caso de desvalorização do câmbio, como é o caso atual.

Nesse tipo de contrato, os ganhos são limitados a um determinado valor e, quando a cotação do dólar atinge um patamar estabelecido entre as partes, as perdas são multiplicadas por dois.

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