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Vice-presidente do BM pede mais peso aos emergentes em nova ordem global

Isabel Conde. Tóquio, 12 nov (EFE).- A vice-presidente do Banco Mundial (BM) para o sul da Ásia, Isabel Guerrero, defendeu hoje que as economias emergentes tenham um maior peso na nova ordem econômica global que começará a ser definida durante a cúpula do G20 em Washington.

EFE |

"É importante que as economias emergentes sejam ouvidas no processo de tomada de decisões", declarou Guerrero durante uma entrevista coletiva em Tóquio, onde se reuniu com as autoridades japonesas para discutir o impacto da crise na Ásia.

A chilena, que dirige o departamento do BM para a região do Sul da Ásia desde julho, considerou que a cúpula do G20 deste sábado em Washington deverá ser concentrada no estabelecimento de um novo sistema financeiro adequado para o século XXI.

"Países como Brasil, China e Índia têm um papel econômico muito mais importante que há 60 anos, quando foram criadas as instituições de Bretton Woods", o BM e o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1944, acrescentou.

Por isto, Guerrero considerou que na reunião deste fim de semana em Washington deverá ser debatido que terá voz e voto em instituições renovadas que ajudarão a construir a nova ordem econômica global.

"Precisamos realmente de reformas que ajudem a criar uma rede mais extensa e representativa do novo mundo, que possa também responder de forma mais rápida e flexível" a situações de incerteza como a atual, declarou Guerrero.

A vice-presidente do BM para o sul da Ásia afirmou que "o G20 é uma forma prática" de convocar as economias mais representativas, mas disse que "não sabe" se este grupo inclui todos os atores necessários.

A chilena disse ainda que a rapidez de tomada de decisões não será prejudicada por um maior número de membros e lembrou recentemente que o BM tomou medidas para aumentar o peso de vários países africanos na instituição.

Sobre o impacto da crise, Guerrero se mostrou especialmente preocupada com seus efeitos sobre os cidadãos mais pobres da região do sul da Ásia, onde a expectativa de crescimento deste ano caiu de 6,3% para 5,4% para o próximo ano.

"Para cada ponto percentual a menos de crescimento em um país em desenvolvimento, 20 milhões de pessoas caem na pobreza", declarou.

Guerrero afirmou que os países do Sul da Ásia foram atingidos por três crises paralelas, a do aumento do preço dos alimentos, o do custo do combustível e posteriormente a dos problemas financeiros, que balançaram os alicerces do sistema econômico global.

Após dois dias de reuniões com representantes do Governo japonês, Guerrero disse que foi decidido que a rede de investidores internacionais deverá aumentar os recursos diante da queda dos investimentos e da redução do capital, além de estabelecer uma rede de proteção aos mais pobres.

Já o BM anunciou nesta quarta que poderia quase triplicar seu volume de empréstimos este ano, até US$ 35 bilhões, para ajudar países em desenvolvimento atingidos pela crise financeira global com epicentro nos Estados Unidos, muitos deles na Ásia.

Guerrero afirmou que a crise atinge de forma muito diferente as inúmeras economias do sul da Ásia, onde alguns países contam com características fundamentais para sua recuperação.

Como exemplo, Guerrero lembra o peso do mercado interno da Índia e a elevada quantidade de recursos na China, o que permitiu ao gigante asiático lançar mão de um pacote de estímulo econômico.

A dirigente considerou ainda que, ao contrário da crise que castigou as economias asiáticas nos anos 90, a atual não tem sua origem na Ásia, o que beneficiará a região. Além disso, naquela ocasião a China tinha um peso muito menor na economia mundial em relação a hoje.

Guerrero destacou ainda a rapidez de atuação dos principais atores diante das complicações e considerou que, com estes ingredientes, os efeitos da crise na Ásia "poderiam ter um final feliz". EFE icr/ev/fal

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