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Tal como no poema épico grego Odisséia, onde o protagonista Ulisses passa um longo tempo tentando chegar no lugar de destino, viajar na Argentina nos últimos meses também transformou-se em uma epopéia. Para poder chegar a seu destino, seja no exterior ou dentro do país, os passageiros devem enfrentar greves de pilotos e aeromoças, além dos controladores aéreos; neblina, fumaça de queimadas e até as cinzas de vulcões situados do outro lado da fronteira.

Desde dezembro do ano passado até o final deste verão, a Argentina foi assolado por uma seqüência de greves de pilotos e aeromoças. Para complicar, uma forte neblina nos dois aeroportos de Buenos Aires - fenômeno climático pouco freqüente no passado - causou o cancelamento de centenas de vôos. Ocasionalmente também ocorrem inconvenientes com o sistema de radares de Ezeiza, além de falhas no sistema de controle, considerado "antiquado" pelos próprios trabalhadores.

Milhares de turistas também ficaram sentados durante horas a fio nas salas de espera entre março e abril, quando os aeroportos de Ezeiza e Aeroparque foram atingidos pela fumaça das queimadas na área rural perto da capital. Em maio foi a vez das cinzas do Chaitén, que espalharam-se por todo o sul da Argentina, interrompendo o trânsito aéreo.

Há poucos dias, mais de 5 mil turistas brasileiros que partiam de Bariloche, no sul do país, tiveram que viajar por terra 460 quilômetros até a cidade de Neuquén para tomar os vôos de volta ao Brasil. A mudança do ponto de retorno foi provocada pelo alerta do Serviço Meteorológico Nacional de Bariloche, que indicou que uma nuvem de cinzas provenientes do Chaitén aproximavam-se da cidade. Mas, horas depois, descobriu-se que prognóstico fora errado, já que em vez de cinzas a nuvem escura não passava de fumaça.