O setor privado está convidado a desempenhar um papel crescente nas atividades espaciais para transportar pessoas e carga para o espaço, mas ainda são enormes os desafios técnicos e financeiros que tem de enfrentar, segundo especialistas consultados pela AFP.

"Acredito que o papel do setor privado nas atividades espaciais vai ser de uma importância crescente porque a tecnologia atual permite às empresas fabricar seus próprios sistemas de lançamento capazes de transportar pessoas e cargas pesadas a uma órbita baixa", explicou Michael Griffin, administrador da Nasa.

"A preferência da agência para abastecer a Estação Espacial Internacional (ISS) será comprar serviços de transporte espacial privados quando disponíveis", acrescentou.

Atualmente apenas os ônibus espaciais da Nasa e as cápsulas russas Soyuz podem levar astronautas e materiais à ISS

Griffin, destacando as dificuldades técnicas da construção de uma nave e seus custos, calculou que não haverá um foguete viável no mercado antes dos próximos cinco anos.

Porém, disse que o setor privado será capaz em cinco ou dez anos de fazer lançamentos sem ajuda pública. Ele manifestou seu apoio à americana SpaceX, a última empresa até a data a se lançar nesta empreitada.

Embora esteja usando fundos privados, o programa Falcon da SpaceX se beneficia do apoio da Força Aérea americana e da Nasa.

A SpaceX, criada pelo multimilionário de origem sul-africana Elon Musk, realizou o primeiro lançamento de seu foguete Falcon 1 em 2006, com a ambição de dividir por três o custo de colocar satélites em órbita.

Mas o primeiro lançamento, feito de uma base militar americana nas ilhas Marshall (Oceano Pacífico), e os dois seguintes em 2007 e 2008, acabaram sendo um fracasso.

Com seu foguete, a SpaceX espera obter contratos governamentais para o lançamento de satélites de menos de 570 kg em órbitas baixas.

O novo revés ocorrido em agosto não minou, no entanto, a vontade da empresa espacial, que acaba de aumentar seu capital para continuar desenvolvendo o Falcon 9, mais potente, e para preparar o quarto lançamento de um Falcon 1.

Os demais empresários que se lançaram nesta aventura antes de Musk tiveram de jogar a toalha.

O primeiro projeto deste tipo, nos anos 80, foi o Space Service Inc (SSI), que não sobreviveu aos sucessivos fracassos de seus foguetes Percheron e Conestoga-1000.

O americano Andrew Beal, que lançou no fim dos anos 90 um importante projeto de construção de foguetes, acabou renunciando.

No entanto, o desenvolvimento potencial do turismo espacial oferece outra via promissora ao setor privado.

O multimilionário britânico Richard Branson anunciou no fim de julho a versão final de eu avião espacial WhiteKnightTwo" (WK2), que oferecerá vôos suborbitais a turistas até 2010.

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