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Viagem internacional e crise: sai mais barato comprar dólar ou usar cartão de crédito?

A crise financeira norte-americano tem gerado preocupações e dúvidas. O iG preparou um material que responde parte das questões que vem sendo feita e abre espaço para que o internauta envie a sua pergunta. Qual a sua dúvida sobre a crise financeira?

Redação |

 

O jornalista e colunista do iG José Paulo Kupfer (leia o blog aqui) vai ajudar os internautas a resolverem suas dúvidas sobre essa turbulência na economia.

Nesta sexta-feira, Kupfer respondeu, entre outros internautas, à dúvida de Lizandro Franco, de Belo Horizonte, que vai viajar para os Estados Unidos e estava em dúvida sobre comprar dólares ou usar o cartão de crédito.

Veja as respostas abaixo e envie a sua dúvida para falainternauta@ig.com.br. Ela será respondida por Kupfer e publicada no Último Segundo.

A agricultura brasileira pode ser afetada com a crise americana? Como? Porque o preço das commodities está caindo neste momento, principalmente soja? (Vinícius, Alisson)

A agricultura brasileira pode sim ser afetada pela crise financeira internacional ¿ especialmente o agronegócio exportador, mais do que a agricultura para abastecimento interno. Primeiro, porque há uma relativa descapitalização dos produtores, agravada pelo aumento dos custos de produção. Recentemente, por exemplo, os preços dos fertilizantes explodiram, refletindo as altas que então ocorriam nas cotações do petróleo.

Agora, com a crise financeira instalada, a perspectiva é de uma acentuada redução mundial no ritmo da atividade econômica. E aí o problema será o de comercialização da safra, pois os preços tendem a cair.As dificuldades na agricultura, aqui no Brasil, foram confirmadas pela anunciada disposição do governo de abrir novas linhas e facilitar o financiamento rural.

As variações de preços das commodities, inclusive as agrícolas, observam vários parâmetros. Há pouco tempo, vivemos um momento de grande alta em que elas foram um refúgio, em especial para os especuladores, ante a baixa do dólar. Agora espera-se que prossigam em baixa por causa da expectativa de redução do consumo dos produtos, o que viria com a confirmação de recessão mundial.

O Brasil é fornecedor importante de commodities e não tem como escapar dos problemas que se vislumbram nos mercados. Além da baixa das cotações, haverá maior competição em mercados agora mais fechados e menos compradores.

Com essas flutuações do dólar, como devo proceder em relação à aquisição da moeda para uma viagem aos EUA em dezembro? Comprar dinheiro, pagar no cartão de crédito? (Lizandro Franco, de Belo Horizonte)

O dólar, no momento, é um ativo bastante incerto, inclusive e especialmente no Brasil. A lógica indica que não deve haver uma explosão das cotações do dólar frente o real, até porque o Banco Central tem agido (ainda que nem sempre com a rapidez e a eficácia esperadas). Mas quem pode garantir?

Num quadro assim, a sugestão possível, quando não se pode quando antecipar, com baixo risco de erro, quanto ainda o dólar pode subir ou cair, é não comprar tudo ao mesmo tempo. Fazer uma espécie de observatório, ir comprando aos poucos, formando assim um preço médio e reduzindo as perdas.

Investir em dólar, como forma de obter ganhos financeiros, não costuma ser uma boa idéia. Também não é o caso de aplicar em dólares como reserva de valor ¿ com a inflação sob controle, o real faz esse papel relativamente bem. Por isso, a quantidade de dólar a comprar para uma viagem ao exterior depende do quanto a pessoa pretende gastar no total e de quanto pretende gastar no cartão de crédito. Aqui também a decisão não é fácil.

Se, de um lado, o cartão é mais prático e seguro ¿ levar dinheiro vivo em certa quantidade é sempre um risco ¿ , de outro é mais incerto em termos financeiros. Fica difícil antecipar a cotação do dólar em reais um mês à frente, quando chega a fatura do cartão. O que se pode dizer é que os especialistas estão achando que tende a haver  uma gradual acomodação, em torno de R$ 2 por dólar. 

Gostaria de entender essa desvalorização que ocorre nas bolsas de valores mundiais. Para onde vai esse dinheiro "perdido"? E quando há valorização, de onde vem?  (Saulo Carvalho)

Muita gente fica perguntando para onde foi o dinheiro quando se diz que a bolsa perdeu US$ 100 bilhões ou ganhou outros tantos. A resposta é que uma parte saiu do bolso de uns e foi para o bolso de outros. Como existem outras formas de aplicar o dinheiro, o que sai da Bolsa vai, por exemplo, para o mercado de renda fixa.

É que ocorre com quem vendeu e com quem comprou. Mas, para os outros, que mantiveram suas aplicações, naquele momento não aconteceu nada ¿ talvez umas palpitações e uma descarga de adrenalina em consequência da gangorra dos pregões. O valor de mercado, que expressa a multiplicação do número de ações pela cotação dela, é uma informação de referência, não tem qualquer valor efetivo, a não ser quando uma empresa compra outra ou é vendida e põe seus papéis no negócio. 

Nesse momento em que as bolsas têm perdas, alguém que comprou os papéis não faz muito tempo, a preços superiores aos de hoje, se retirar o dinheiro amanhã, terá, óbvio, tido perdas. Se o mesmo investidor esperar 10 anos e a Bolsa voltar a ter um bom desempenho, acabará tendo um ganho. Ganhos e perdas, portanto,  dependem do momento da realização da aplicação. Se o investidor não retirar, ele não pode dizer que perdeu ou ganhou, se quiser pode no máximo dizer que está perdendo ou ganhando. Só pode mesmo dizer que perdeu ou ganhou na hora em que realiza o investimento e pega o dinheiro.

Nesse momento, quem diz que está perdendo não está expressando de maneira correta o que ocorre com sua própria aplicação. A não ser que retire o dinheiro e o montante seja inferior ao que foi aplicado, acrescido da reposição da inflação. Aí vai ter perdido mesmo.

 

Gostaria de saber se estamos em um bom momento para comprar eletrodomésticos. Preciso fazer duas aquisições ainda neste mês, tenho acompanhado as notícias, por isso não tomei nenhuma decisão. Quero pagar em dez vezes no cartão de crédito, devo aguardar? (Ivani)

Eletrodomésticos são bens de menor valor unitário, que, em princípio, devem absorver menor parcela da renda e por prazo não muito longo. Então não há muito problema em adquiri-los agora. E talvez seja um bom momento de fazê-lo.

O parâmetro a observar é a inflação e, mais especificamente, o preço dos eletrodomésticos importados. Se a tendência da inflação em geral não é de alta, a dos preços dos eletrodomésticos importados já não é tão favorável. Além disso, o financiamento está encarecendo e ficando mais difícil.

Mas é preciso observar alguns aspectos gerais: comprar quando precisa, quando tem condições e não compromissar, por exemplo, muito mais do que 10% da renda líquida com prestações. Outro ponto a ser levado em conta quando se compra com financiamento é a confiança de que a renda pessoal ou familiar de hoje não sofrerá alguma redução no futuro.

Comprar em dez vezes sem juros no cartão de crédito, dependendo do desconto que for oferecido numa compra à vista, é algo que pode ser feito. O que não pode, sem contar até cem ¿ ou mil ¿ antes de decidir, é financiar no cartão de crédito. As taxas cobradas no crédito rotativo dos cartões são simplesmente absurdas.

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