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Venezuela afrouxa controle de preços dos alimentos

SÃO PAULO - O governo venezuelano liberou os preços de sete produtos alimentícios tabelados e aumentou o limite de preços de outros, numa tentativa de combater o desabastecimento e incentivar a produção, num momento em que a economia mostra indícios de que está perdendo a vitalidade, após anos de crescimento alto.

Valor Online |

Aveia, atum em lata, atum fresco, sal e alguns cortes de suíno foram excluídos da lista de controle de preços. Maionese, margarina, molho de tomate, pão, carne, massas e óleos vegetais tiveram seus limites de preços expandidos de 50% a 75%. A decisão foi publicada no Diário Oficial venezuelano.

Dados econômicos divulgados ontem mostram que o governo tem com o que se preocupar.

A produção industrial do país registrou contração em maio, puxado para baixo pela siderurgia e pela indústria têxtil. A queda foi de 1,4% em relação a maio do ano passado e de 0,13% em relação ao mês anterior.

As vendas de varejo cresceram 22% em maio, quando comparadas ao mesmo mês do ano passado. Entretanto, em relação a abril, as vendas tiveram uma queda de 42%, numa indicação de que a economia continua a esfriar, depois de anos de expansão econômica.

As vendas de atacado também contraíram em maio em relação a um ano atrás: - 0,6%.

A economia venezuelana cresceu 4,8% no primeiro trimestre, o menor resultado de expansão em quatro anos. O crescimento do segundo trimestre deve ser divulgado nos próximos dias.

No setor de alimentos, o governo do presidente Hugo Chávez já teve de liberar os controle sobre os preços de alguns alimentos neste ano. A produção de alimentos vem caindo devido às reduzidas margens de lucro provocadas pelo tabelamento dos preços e o desabastecimento se disseminou pelo país. A inflação no setor de alimentos alcançou 50% em julho, quando comparada ao mesmo mês do ano passado. Essa é uma da principais razões da queda de popularidade do governo.

Os ajustes são inevitáveis , disse Carlos Machado Allison, economista de Caracas especializado em agricultura. O aumento mostra que o governo vai aumentar os preços aos pulos, e não progressivamente.

Para Boris Segura, economista do Morgan Stanley em Nova York, os aumentos vão servir para piorar as pressões inflacionárias e não devem servir para estimular novos investimentos no país. Eles estão gerenciar a inflação de modo microeconômico , disse Segura. É tudo muito ad hoc.

Um indicador de desabastecimento elaborado pelo Banco Central, que mede a porcentagem de lojas em que o consumidor não consegue encontrar certos produtos, mostrou que a escassez em julho chegou a 12,1% em todo o país, bem abaixo dos 24,7% registrados em fevereiro.

O governo está tentando ganhar mais controle sobre a indústria de alimentos e decretou medidas legais para prender comerciantes que estejam estocando produtos por mais de três meses. Segundo Felix Osorio, ministro de Abastecimento, em tempos de crise, é necessário que os governos possam produzir alimentos e comercializá-los. Se eles deixarem tudo nas mãos da iniciativa privada, certamente terão problemas , disse Osorio.

(Valor Econômico, com agências internacionais)

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