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SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não escapa do pessimismo externo e começa a semana com acentuada desvalorização. Por volta das 13 horas, o Ibovespa apontava queda de 3,15%, aos 40.

586 pontos, com giro financeiro em R$ 1,57 bilhão.

Perdas também em Wall Street, onde o Dow Jones e o Nasdaq caíam 3,51% e 3,35%, respectivamente, enquanto o S & P 500 recuava 3,49%.

Segundo o economista da Um Investimentos, Hersz Ferman, a combinação de notícias negativas e espaço para a realização de lucros depois da recente puxada de alta tanto aqui quanto lá fora dão o contorno desta segunda-feira.

De acordo com o especialista, o setor automotivo americano é uma das fontes de preocupação, depois que o governo rejeitou os planos de reestruturação da General Motors e da Chrysler e sugeriu que uma falência ordenada das empresas seria a melhor saída.

Em pronunciamento feito há pouco, o presidente americano Barack Obama disse que não vai deixar a indústria automobilística do país simplesmente desaparecer. Obama lembrou que está dando mais tempo para as empresas montarem planos viáveis de reestruturação, mas voltou a afirmar que a falência é uma opção.

Ferman aponta que o setor financeiro também perdeu força depois das declarações feitas pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner, durante o final de semana. Em entrevista, Geithner disse que algumas empresas do setor ainda vão precisar de ajuda substancial do governo. Além disso, alguns bancos afirmaram que o mês de março está mais complicado para seus negócios depois dos resultados positivos observados em janeiro e fevereiro.

Para o economista, aquele otimismo que perdurou até a semana passada deve perder um pouco de força. Os índices de ações já subiram bastante e o cenário segue muito incerto para patrocinar ganhos adicionais. Por outro lado, Ferman não acredita que os preços dos ativos possa voltar às mínimas observadas na fase mais aguda da crise.

No âmbito corporativo, o ambiente de aversão a risco e menor preços de commodities prejudica os principais papéis do Ibovespa. Vale PNA caía 4,06%, para R$ 26,66, e Petrobras PN tinha desvalorização de 3,61%, a R$ 28,53.

Entre as siderúrgicas, Gerdau PN cedia 5,30%, a R$ 12,67. Já a ação ON da CSN recuava 3,13%, para R$ 33,41. A venda de ações da Namisa garantiu ganho recorde de R$ 3,93 bilhões no quatro trimestre. Mas operacionalmente a empresa sentiu os efeitos da crise, com queda acentuada das vendas.

Os bancos seguem os pares externos. Os papéis PN do Itaú e do Bradesco perdiam mais de 3% cada para R$ 25,53 e R$ 22,80, respectivamente.

Com a maior baixa dentro do índice, VCP PN desvalorizava 6,33%, a R$ 10,35, e Aracruz PNB perdia 4,57%, negociada a R$ 1,46. BM & F Bovespa, TAM PN e Usiminas PNA caíam mais de 4% cada.

Na ponta compradora, Sadia PN recuperou as perdas da manhã e apontava alta de 2,65%, para R$ 3,09. Na sexta-feira, a companhia reportou um prejuízo de R$ 2,484 bilhões em 2008, o maior de sua história de 64 anos, reflexo das perdas com derivativos cambiais.

Segundo Ferman, o resultado foi negativo, mas há expectativa de que alguma coisa acontecerá com a companhia, seja a venda para a Perdigão, ajuda no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou venda de ativos para pagamento de dívidas.

Ainda na ponta compradora, JBS ON aumentava 2,71%, a R$ 5,29, e B2W Varejo ON subia 1,22%, para R$ 21,56, recuperando parte das perdas acentuadas da semana passada.

Fora do índice, os recibos de ações (BDRs) da Agrenco são destaque, avançando 17,94%, para R$ 0,46, com elevado volume financeiro.

O mercado de câmbio também reflete o ambiente de maior aversão ao risco, com o dólar ampliando os ganhos contra o real e retomando o patamar de R$ 2,30, que não era observado desde 13 de março. Há pouco, o dólar comercial era transacionado a R$ 2,329 na venda, alta de 1,56%.

Parte da puxada de alta, segundo alguns especialistas, por ser creditada à atuação dos comprados (agentes com apostas contra o real no mercado futuro), já que o Banco Central (BC) não acenou com a rolagem de cerca de US$ 4 bilhões em contratos de swap que vencem em abril.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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