SÃO PAULO - A tentativa de alta observada no começo do pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não resistiu ao pessimismo externo. Por volta das 13h10, o Ibovespa caia 1,4%, para 38.

002 pontos, com giro financeiro em R$ 1,05 bilhão.

Em Wall Street, os contratos futuros de índices operavam entre ganhos e perdas, mas a queda de 15,5% na construção de novas moradias em dezembro definiu o rumo dos negócios. Há pouco, Dow Jones perdia 1,74%, enquanto Nasdaq recuava 2,55%.

Contribuindo para o pessimismo, os pedidos por seguro-desemprego subiram mais do que o esperado, para 589 mil requisições na semana passada, contra 527 no período anterior.

Notícias ruins também pelo lado corporativo. A Microsoft reportou queda de 11% no lucro do seu segundo trimestre fiscal, que somou US$ 4,17 bilhões, e na seqüência anunciou o corte de 5 mil empregos em 18 meses.

Segundo o gestor de renda variável da Ático Asset Management, Fernando Barbará, o noticiário é todo muito ruim e não há expectativa de melhora no curto prazo.

De acordo com Barbará, os resultados das empresas vão seguir negativos por pelo menos mais dois trimestres, na melhor das hipóteses. O gestor lembra que, por aqui, as empresas nem começaram a divulgar os resultados mais fracos. Isso vai ter início agora com o resultado do último trimestre do ano. "E a expectativa para o primeiro trimestre desse ano é ainda pior."
Por outro lado, o especialista lembra que os preços das ações antecipam muito os dados reais, mas ainda é muito difícil dizer que o mercado terá uma mudança de tendência sustentada.

Para Barbará, os dados de produção da Vale ilustram bem o quadro que se desenha para esse começo de ano. A empresa apontou queda na produção de minério de ferro no ano passado, quebrando uma seqüência de crescimento médio anual de 13% a 14% que era observado desde o ano 2000.

O gestor também ressalta que as perspectivas positivas com os planos de recuperação do governo dos Estados Unidos não se sustentam, pois ainda faltam detalhes sobre como e quando as medidas serão implementadas.

Além do humor externo negativo, o petróleo em baixa também prejudica o desempenho da Bovespa. Há pouco, o papel PN da Petrobras caía 1,97%, para R$ 23,78. Logo depois vinha a ação PNA da Vale, recuando 0,84%, para R$ 25,75.

Depois da melhora de ontem, os bancos voltaram a cair. Itaú PN perdia 3,20%, para R$ 22,65, Bradesco PN recuava 0,73%, a R$ 20,93, e Banco do Brasil ON se desvalorizava 1,67%, a R$ 13,52.

Apenas 10 dos 66 papéis que compõem o índice apresentavam alta. Destaque para Aracruz PNB, que subia 3,41%, a R$ 2,12, depois de cair mais de 20% nos últimos dois dias. Desempenho positivo para Natura ON, com alta de 1,72%, a R$ 20,60, e Pão de Açúcar PN, que subia 1,78%, a R$ 29,09.

O dólar continua perdendo valor para o real, mas a piora de humor nas bolsas aqui e lá fora limita a venda de moeda estrangeira. Há pouco, a divisa valia R$ 2,346 na venda, queda de 0,25%. O Banco Central já vendeu moeda á vista, tentando manter o preço em baixa. No mercado externo, o iene segue avançando contra o dólar enquanto a libra perde valor.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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