A temporada de 2010 promete ser bem mais animadora para a atividade turística, especialmente para os destinos internacionais. No ano passado, muitos brasileiros deixaram de ir ao exterior por causa da epidemia de gripe do vírus H1N1 e das incertezas com o dólar, resultado dos problemas na economia global.

A consequência esperada é o aumento acentuado dos gastos de brasileiros em outros países.

Segunda maior operadora do País, a TAM Viagens apresenta um movimento acima da média a três meses da alta temporada, segundo Paulo Castelo Branco, vice-presidente Comercial e de Planejamento da TAM.

"Alguns fatores trouxeram preocupação no ano passado, mas neste ano teremos recuperação. O dólar está favorável ao turismo internacional", afirma. Ele prevê um crescimento de 25% nas vendas de pacotes para o exterior entre junho e julho. O mercado, segundo ele, deve crescer 20%.

O destino preferido, segundo o executivo, ainda é Orlando. E, para aproveitar essa preferência, a TAM vai colocar, além de um voo diário, como no ano passado, mais 39 voos extras nos dois meses de férias.

Maria da Graça Lima Ferreira, dona de casa de 60 anos, planeja, há três anos, com o filho Gustavo Lima, jornalista, uma viagem à Europa. Desde que tomaram a decisão de seguir para a Europa de férias, Gustavo vem comprando euros com as suas economias. No dia cinco de abril, eles embarcam para uma viagem de 15 dias que vai passar por Portugal, Itália e França.

Graça, que mora em Belo Horizonte, planejou todo o roteiro. Fez cotação com uma agência de viagens da capital mineira e não se contém de tanta ansiedade. "A viagem é um presente do meu filho. Nunca tive a oportunidade de visitar a Europa, apenas alguns países vizinhos, como a Argentina. Quero aproveitar um pouco de tudo, como a boa comida, os vinhos, os azeites. Já avisei meu filho que ele vai ter de se preparar para acompanhar o meu pique", conta Graça.

A mineira está particularmente ansiosa em conhecer a Itália, de onde vieram seus avós. Mãe e filho devem gastar em torno de R$ 15 mil entre passagens, hotéis e dinheiro para despesas, como alimentação. "Será uma viagem e tanto. Já estou até programando a próxima, para Nova York, com um grupo de amigas", conta, animada.

Graça faz parte das estimativas de operadoras de turismo como a Nascimento. Cleiton Feijó, diretor comercial, prevê um crescimento de 35% nas vendas de pacotes internacionais neste ano - boa parte graças às viagens de julho, período de férias escolares e época escolhida por muitos brasileiros para tirar férias.

"Os principais destinos continuam sendo Caribe, Estados Unidos e Europa. Temos 3 mil bloqueios, incluindo passagem e hotel, feitos para a Europa nesta temporada. É 25% maior do que no ano passado", diz Feijó.

O portal de turismo Decolar é outro que aproveita a boa fase da economia e o entusiasmo dos brasileiros por visitar outros países. Segundo Alípio Camanzano, diretor-geral para a operação brasileira, não foi só o turismo da classe C - que veio da classe D com a melhora do poder aquisitivo - que cresceu. Mas também o da nova classe B, que veio da C.

"Se ele gastava entre US$ 350 e US$ 400 de tíquete médio com três noites de hotel três-estrelas, agora ele está gastando de US$ 500 a US$ 600 para se hospedar em um hotel superior e por mais dias", explica o executivo da Decolar.

A CVC, líder do setor, reforçou a estrutura para dar conta da demanda. Valter Patriani trabalha com uma previsão de crescimento de 20% nas vendas de pacotes internacionais neste ano.

Pacotes.Uma das formas de captar mais clientes é por meio de pacotes como o "Mundo para Brasileiros". São excursões para a Europa acompanhadas por guias desde o Brasil. Os turistas inseguros em viajar para o exterior normalmente preferem esse tipo de pacote. No ano passado foram 100 saídas; neste ano, a direção da operadora trabalha com a previsão de chegar a 262 saídas.

Pela primeira vez neste ano, a CVC "envelopou" um ônibus que faz o circuito europeu com a marca da empresa. A apresentação do novo veículo foi feita na semana passada e faz parte da estratégia de marketing.

Gerente internacional da MGM Operadora, Priscila Manfredini também está otimista com a chegada da alta temporada. "A procura já está bastante grande tanto para os destinos mais tradicionais, como Europa, Caribe e Bariloche, quanto para lugares que estamos começando a trabalhar mais intensamente agora, como Leste Europeu e Colômbia", conta.

A executiva trabalha com previsão de crescimento nas vendas de viagens internacionais de 15% neste ano. Como chamariz, explica, a empresa oferece a opção de parcelamento em 10 vezes sem juros ou 10% de desconto para pagamento à vista.

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