A indústria automobilística da União Europeia (UE) teve em 2008 o pior ano desde 1993. A queda nas vendas foi de 7,8% na comparação com 2007.

No último trimestre do ano, as vendas encolheram 19,3%, segundo dados divulgados ontem pela Associação Europeia dos Construtores Automotivos (Acea).

No ano passado, foram vendidas 14,71 milhões de unidades, ante 15,96 milhões em 2007. Na Europa Ocidental, o desempenho foi pior: a queda de 8,4% se acentuou em razão do balanço pífio de novembro e dezembro - de -25,8% e -17,8%, respectivamente.

Os países mais afetados foram Islândia, com queda de 43,3%, Espanha, com 28,1%, e Irlanda, com 18,7%. Itália e Reino Unido tiveram recuo de 13,4% e 11,3%, respectivamente. Dentre as maiores economias, a França e a Alemanha resistiram melhor, com recuo de 0,7% e 1,8%.

Em toda a Europa Ocidental, formada por 15 países, apenas quatro sobreviveram ao derretimento do mercado automobilístico: Finlândia e Portugal, que, graças a pacotes fiscais, registraram altas de 11,2% e 5,7% nas vendas, e Bélgica e Suíça, cujo desempenho ficou em 2,1% e 1%.

Nos 12 países do Leste Europeu o cenário foi diferente. A queda do mercado foi bem menos dramática: 0,7%. Polônia e República Checa verificaram crescimentos vigorosos, de 9,4% e 8,4%, no apanhado do ano. Romênia e Hungria, por outro lado, enfrentaram a recessão: -8,7% e -9,2%.

Entre as montadoras, as piores performances foram verificadas pelas norte-americanas Chrysler (-25,7%) e GM (-13,9%) e pelas japonesas Mitsubishi (-16,1%), Honda (-15,7), Toyota e Suzuky (-12,4%). As melhores couberam aos grupos Nissan (8,8%) e Mazda (2,1%).

"O ano de 2008 começou bem para as montadoras, com altas em fevereiro e abril. A queda se cristalizou a partir da segunda metade do ano, sobretudo a partir de outubro, quando o mercado passou a ser afetado pela crise do sistema financeiro", explicou, ao Estado, a diretora de Economia e Estatística da Acea, Quynh-Nhu Huynh. "A instabilidade dos mercados provou uma crise de crédito severa, que foi acompanhada de uma forte queda do poder de compra e da confiança dos consumidores. Tudo foi uma bola de neve", acrescentou.

Para Huynh, mesmo com a crise, a indústria automobilística da Europa se sai melhor que a dos Estados Unidos, revelando um maior volume anual de vendas. Isso ocorreu, segundo a economista, graças à política de Bônus-Ônus do governo da França - que consiste em incentivos fiscais para a compra de automóveis menos poluidores e taxas mais pesadas para os mais emissores de CO2 - e à retomada do mercado na Alemanha, que havia tido um 2007 fraco.

Mesmo com o nível baixo de 2008, Quynh-Nhu Huynh não se atreve a dizer que o ano que começa será menos difícil. "As análises ainda são imprecisas porque os cenários não estão claros. Mas este ano não será melhor."

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