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Vendas de carros importados caem 60%

As concessionárias de veículos importados, que viveram tempos de vacas gordas com o dólar oscilando entre R$ 1,60 e R$ 1,90, nos últimos anos, já sentem os efeitos da crise financeira. A alta da moeda americana e a maior restrição ao crédito afogaram as vendas em outubro.

Agência Estado |

Em algumas revendas, como estratégia para desovar os estoques, os preços dos automóveis ainda não foram reajustados. Mas a medida deve durar pouco: até o fim do ano, os primeiros aumentos começam a aparecer.

Em uma concessionária Suzuki, que abriu as portas em São Paulo há duas semanas, o movimento aguardado para a estréia não se confirmou. "Está fraco, vende-se menos que o esperado", conta o gerente, Nelson Santiago. A loja é uma das primeiras da marca japonesa no País, que retornou ao mercado nacional, depois de cinco anos, em plena turbulência internacional.

"As pessoas estão pesquisando mais e comprando menos" diz Daniela Santos, vendedora da Forest Import, que vende veículos de luxo, como Chevrolet Corvette, Porsche e Mustang. Desde que a crise se agravou, o movimento na loja praticamente parou. De dez carros vendidos por mês, a média passou para quatro.

Os modelos mais caros, vendidos apenas por encomenda, são os mais atingidos pela oscilação do câmbio, diz Daniela. Do valor total do veículo, 10% é pago de acordo com o câmbio do dia da compra e o restante segue a cotação do dólar no dia do desembaraço do automóvel no Brasil. Quem quiser comprar um Mustang V6 hoje, pagará R$ 133 mil. Há pouco mais de dois meses, poderia levar o carro para casa por R$ 95 mil.

Na loja Number One, revenda da marca Kawasaki aberta este ano em São Paulo, as vendas diminuíram 60% desde o início da crise. Segundo o proprietário, Eduardo Costa Neto, a retração se deu em razão da falta de crédito, já que a alta do dólar ainda não foi repassada pela importadora. "Isso só deve ocorrer a partir do próximo mês", diz. Cerca de 80% das vendas na loja são à prazo.

Neto acredita que com os novos patamares de preço, em novembro, terá de reduzir a margem de lucro para segurar as vendas. "É um jogo de estica-e-puxa para continuar vendendo."

Segundo a Associação Brasileira de Empresas Importadoras de Veículos Automotivos (Abeiva), nos últimos 15 dias, as vendas de importados caíram 20% entre as associadas da entidade. O presidente da Abeiva, Henning Dornbush, acredita que a redução está ligada, principalmente, à maior restrição de crédito. Segundo ele, o reajuste nos preços, em razão da alta do dólar, deve ocorrer apenas em dezembro.

Os importados "de entrada", com valor entre R$ 30 mil e R$ 60 mil, tiveram a maior queda nas vendas. Por custarem menos, têm um índice de financiamento de até 80%. Já os carros avaliados em mais de R$ 90 mil são pagos à vista em 60% dos casos. "O consumidor de entrada está sendo mais afetado neste momento", diz Dornbush.

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