SÃO PAULO - Com nova indicação de forte demanda doméstica, os investidores não tiveram dúvida em pedir mais prêmios de risco no mercado de juros futuros, segurando, assim, algumas taxas em máximas não registradas em mais de um ano. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercados & Futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 subia 0,02 ponto, a 8,74%. Julho de 2010 ganhou 0,04 ponto, a 9,37%.

SÃO PAULO - Com nova indicação de forte demanda doméstica, os investidores não tiveram dúvida em pedir mais prêmios de risco no mercado de juros futuros, segurando, assim, algumas taxas em máximas não registradas em mais de um ano. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercados & Futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 subia 0,02 ponto, a 8,74%. Julho de 2010 ganhou 0,04 ponto, a 9,37%. Já janeiro de 2011, o mais líquido do dia, ganhou 0,09 ponto, a 10,66%, maior taxa desde o começo de março do ano passado. Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 subiu 0,07 ponto, a 11,87%. Janeiro de 2013 avançou 0,09 ponto, a 12,29%, e janeiro 2014 também acumulou 0,10 ponto, projetando 12,44%. Até as 16h15, foram negociados 1.215.022 contratos, equivalentes a R$ 111,81 bilhões (US$ 63,58 bilhões), 27% acima do registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 453.925 contratos, equivalentes a R$ 42,19 bilhões (US$ 23,55 bilhões). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que as vendas no varejo subiram 1,6% em fevereiro sobre janeiro, quando as vendas já tinham avançando 3%. As previsões oscilavam entre 0,3% a 1% de alta. A Rosenberg & Associados foi categórica na sua avaliação:"O dado vem corroborar o quadro de demanda interna aquecida, reforçando a necessidade de uma alta mais agressiva dos juros na reunião de abril, a fim de se evitar que as pressões inflacionárias sejam cristalizadas por uma demanda mais forte, especialmente no que diz respeito a 2011." As vendas no varejo também reforçaram a visão do Santander, que já trabalhava com alta de 0,75 ponto percentual na Selic agora em abril. O banco acredita que esse resultado deve levar as expectativas de mercado para um ajuste mais forte, já que por ora, o Focus sugere aperto de 0,5 ponto. Ainda sobre o varejo, mas olhando agora para março, a Icap Brasil acredita que o setor seguirá registrando bom desempenho, captando ainda alguns incentivos fiscais adotados, além das compras da Páscoa, fator que tem grande impacto no desempenho do setor varejista. Contudo, pondera a corretora, com o fim da redução dos impostos, processo de ajuste das taxas de juros, preocupação do consumidor com a inflação e o fim do efeito positivo do aumento do salário mínimo sobre a economia, o ritmo de expansão das vendas deve ser menor. "A alta neste início de ano confirma o crescimento expressivo do consumo, mas fatores atípicos ou sazonais contribuíram para o desempenho acima da média. A questão agora é avaliar de forma correta o quanto sustentável esta alta é." Olhando agora os dados sob a ótica da política monetária, a Icap aponta que o ajuste mais forte, de 0,75 ponto, é factível de ocorrer caso o BC queira agradar ao mercado e ancorar as expectativas de forma mais firme. Para a corretora, o BC poderia até mesmo ser arrojado e impor uma alta mais agressiva de 1 ponto, retomando o controle e reduzindo a volatilidade e o stress do mercado financeiro, que clama por uma postura firme e independente do BC neste período de eleições. Contudo, a Icap mantém a expectativa de alta moderada e cautelosa da taxa de juros, de 0,50 ponto percentual agora em abril, pois esse é um resultado alinhado ao perfil da instituição. A corretora lembra que o BC nunca começou um processo de alta da Selic com choque de juros, a exceção foi dezembro de 2002 quando elevou a taxa em 3 pontos percentuais. A previsão da Icap poderá ser revista até a reunião dos dias 27 e 28 de abril, em função dos resultados da prévia de abril do IPCA, último indicador de primeira linha que sai antes da decisão. Na gestão da dívida pública, o Tesouro fez a segunda etapa do leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), que aconteceu via troca de títulos. (Eduardo Campos | Valor)
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