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Venda de gás natural despenca por crise e preço alto

SÃO PAULO (Reuters) - O volume de gás natural comercializado no Brasil atingiu a média diária de 33,7 milhões de metros cúbicos em janeiro, 22,2 por cento inferior ao de dezembro e 29 por cento menor que o registrado em janeiro de 2008, informou a Abegás nesta quinta-feira. Segundo a entidade, que reúne as distribuidoras de gás canalizado no país, a forte queda no consumo foi provocada pela redução da atividade industrial devido à crise e pelo preço considerado alto do gás natural na comparação com concorrentes como o óleo combustível.

Reuters |

"A redução acentuada de mais de 10 milhões de metros cúbicos diários de um mês para o outro foi puxada, principalmente, pela crise econômica", informou a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado, em relatório mensal sobre a comercialização.

"Os preços do insumo influenciaram também de forma negativa o consumo. O preço do gás mostra-se distorcido em relação ao dos demais combustíveis industriais. Seu preço chega a ser 40 por cento superior ao do óleo combustível vendido no mercado nacional", acrescentou a entidade.

O setor industrial consumiu 18,7 milhões de metros cúbicos diários em janeiro, ante um volume médio mensal em 2008 de aproximadamente 25 milhões de metros cúbicos diários.

Além disso, o menor acionamento de usinas termelétricas, já que os reservatórios das hidrelétricas estão bem abastecidos graças ao bom volume de chuvas, colaborou para a redução da demanda por gás.

A própria Petrobras já havia informado que estava sobrando gás no Brasil, com excedente diário na oferta em torno de 14 a 16 milhões de metros cúbicos.

A estatal, no entanto, não fez menção ao preço, que foi elevado algumas vezes nos últimos meses desde que o país passou por um aperto na oferta, devido ao grande acionamento das termelétricas e a reduções no envio por parte da Bolívia.

"Os dados do primeiro mês do ano demonstram que a falta de política energética fez com que o insumo perdesse competitividade em todos os segmentos", afirmou no relatório Armando Laudorio, presidente da Abegás.

(Reportagem de Marcelo Teixeira)

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