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Venda de ações da Vale decepciona e provoca queda de 3,14% na Bolsa

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) levou um tombo de 3,14% ontem, que neutralizou o ganho acumulado de 3,17% nas três sessões anteriores. O principal motivo para a queda foi o forte deságio na venda de ações da Vale na oferta global primária realizada pela companhia.

Agência Estado |

Os preços dos papéis PNA (preferenciais, sem direito a voto) e ON (ordinárias, com direito a voto) da mineradora ficaram abaixo dos valores de mercado.

Segundo operadores, alguns acionistas que acompanharam o aumento de capital estão se desfazendo de parte dos papéis que detinham para obter ganhos. Isso porque eles garantiram o direito de comprar novas ações na emissão com deságio de 6,33% para as preferenciais e de 5,93% para as ordinárias, em relação à cotação no fechamento de quarta-feira da Bovespa.

De acordo com um operador, o preço saiu "muito baixo" e não houve demanda muito forte. As ações ordinárias estão sendo ofertadas no Brasil a R$ 46,28 por ação e as preferenciais a R$ 39,90 por ação. "Não me surpreenderia se Vale PNA caísse até cerca de R$ 40, encostando no preço por ação da oferta", comentou um operador.

Os papéis da Vale despencaram já na abertura do pregão e seguiram assim durante toda a sessão. "A operação foi colocada num momento ruim", reagiu um operador. Com o preço em baixa, muitos investidores passaram a se desfazer de outros papéis, já que não tem entrado dinheiro novo no mercado, apenas giro do que já está lá. "Pode ser essa também a razão do tombo das siderúrgicas, um dos setores que mais subiram neste ano de 2008%", disse outro operador. Vale PNA liderou o volume financeiro individual negociado no Ibovespa, com R$ 2,083 bilhões. Caiu 5,4%, enquanto Vale ON recuou 5,41%.

Segundo analistas, já era esperado que as ações saíssem a um preço menor que o mercado à vista porque os investidores costumam vender seus papéis antes da oferta para comprá-los com desconto na subscrição, mas o tamanho do desconto surpreendeu.

De acordo com a Banif Securities, o máximo que se esperava era um valor 5% inferior ao de mercado, mas o "momento conturbado" escolhido pela Vale para a oferta fez com que o apetite dos investidores fosse prejudicado. Segundo uma fonte próxima à operação, os investidores, especialmente estrangeiros, exigiram um desconto "muito grande" nos papéis.

O desconto imposto às ações da Vale reflete o mau momento do mercado, mas também a insegurança dos investidores em relação à estratégia de aquisições da companhia. Segundo especialistas, há dúvidas quanto à duração do ciclo de alta das commodities metálicas, como cobre, níquel e alumínio, áreas em que atuam possíveis alvos de aquisição da Vale.

O aumento da exposição a esse tipo de produto, cotado na Bolsa de Metais de Londres, pode trazer mais instabilidade. Hoje, cerca de metade da receita da Vale está concentrada em minério de ferro, que tem o preço negociado anualmente e menores indícios de retração de demanda. No prospecto preliminar da oferta, a Vale informou que 66,66% dos recursos captados serão usados em investimentos ou aquisição de participações societárias.

"O fato de que a Vale pretende comprar empresas nesse setor aumenta a insegurança porque o mercado não sabe até onde vai o ciclo de alta dos preços", diz o analista Carlos Kochenborger, da Corretora Geração Futuro. Ele afirmou, no entanto, que o aumento da participação em setores como níquel e cobre pode ser positivo porque aumenta o controle da companhia sobre esses mercados.

Os investidores também temem que a Vale aumente seu endividamento com a compra de outras companhias de grande porte, como Anglo American e Xstrata. No entanto, a desvalorização das ações da Vale desde o início do ano - a preferencial já caiu 20,4% - deve inibir esse tipo de operação, que dependeria da troca de ações entre as empresas.

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