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Velocidade da mudança do cenário surpreende analistas

O crescimento de 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no 3º trimestre de 2008 ante igual trimestre do ano passado dá a dimensão de quão aquecida a economia brasileira estava, disse ontem o sócio-diretor da MCM Consultores e ex-diretor do Banco Central José Júlio Senna, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, serviço da Agência Estado. Esse resultado é uma fonte de complicação para os formuladores de política monetária.

Agência Estado |

Os dados mostram uma economia aquecida, mas o quadro atual foi alterado. O vento mudou com uma velocidade espantosa. Os primeiros sinais da economia no 4º trimestre estão longe de corroborar o que houve no 3º trimestre."

Para Senna, há muito espaço para deterioração da economia daqui para frente. "Teremos desaceleração bastante considerável do PIB em 2009. A produção industrial em novembro deve vir pior que a de outubro e a chance de o crescimento ser negativo no 4º trimestre é alta. Sendo que no 1º trimestre de 2009 não devemos ter mudança substancial de quadro", comentou o ex-diretor do BC.

Ou seja, é possível haver recessão nos próximos meses. "Uma vez aceito o conceito de que recessão são dois trimestres negativos, é possível que isso ocorra. E o curioso é a rapidez com que chegamos a um PIB de quase 7% ao ano e de repente ele pode ficar negativo."

Para o ano de 2009, Senna espera que o crescimento seja de 2% a 2,5%, e dificilmente o País deve crescer com a força dos últimos trimestres nos próximos dois anos. "Definitivamente, o 3º trimestre de 2009 pode ser o último de crescimento forte do governo Lula", disse, rebatendo afirmações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o terceiro trimestre não será o último de forte expansão deste governo.

O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, reforça a corrente de analistas surpreendida por um crescimento um pouco maior do que o esperado, mas ressaltou que, para o quarto trimestre, as perspectivas bem menos animadoras pouco mudaram, já que os dados anunciados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não captaram o período de recrudescimento da crise internacional.

De acordo com o IBGE, o PIB do 3º trimestre apresentou crescimento de 1,8% sobre o 2º trimestre de 2008 e de 6,8% ante o 3º trimestre de 2007, resultados superiores aos que os analistas consultados pela AE aguardavam - de 0,6% a 1,7% e de 5% a 6,2%, respectivamente. "O resultado ficou acima do que a gente estava prevendo, com diferença até razoavelmente grande", disse Campos Neto, que esperava alta de 1,2% para a comparação na margem e 5,5% para a interanual.

Por causa dessas diferenças, ele já revisou tanto as expectativas para o 4º trimestre quanto para o acumulado de 2008. "É evidente que os números divulgados hoje (ontem) trazem reflexos no resultado do ano. Antes eu estava com crescimento projetado de 5,2%. Agora, estou com 5,6% de expansão."

No caso específico do 4º trimestre, o economista enfatizou que há duas diferenças básicas na formação das previsões. Segundo ele, o desempenho do PIB sobre o último trimestre de 2007 será favorecido pelo carry over (efeito estatístico de carregamento), especialmente do setor de Serviços. Já em relação ao 3º trimestre de 2008, a própria base de comparação elevada trará retração ainda maior que a esperada.

"Estamos analisando, mas acredito que, na margem, pode bater em até 1% de queda ante a previsão anterior, de variação negativa de 0,3%. Na comparação interanual, deve vir algo em torno de 3,5%, que é maior do que os 3,3% que esperávamos antes."

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