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Do oitavo andar do prédio do BC, em Brasília, membros do Copom iniciam reunião sobre a taxa de juros

As reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decidem os rumos da inflação e o crescimento da economia brasileira, são secretas. Ninguém, além dos membros do Copom, pode acompanhar os encontros realizados por dois dias em duas salas diferentes na sede do BC, em Brasília.

Mas a primeira parte da reunião, ocorrida na terça-feira, recebeu um novo “integrante”: um painel de cinco metros de altura e quadro de largura, pesando quase 400 quilos, de autoria de Cândido Portinari. O painel conhecido como “Descobrimento do Brasil”, concluído por Portinari em 1955 para o Banco Português do Brasil, é considerado a obra mais valiosa do acervo do BC.

O adereço, que ficou um ano exposto na Galeria de arte da instituição em Brasília, ficará exposto na parede da sala do oitavo andar da sala de reuniões do Copom onde os dirigentes do BC começam a decidir a taxa básica de juros – a Selic, que baliza as taxas de juros praticadas pelo mercado. A sala da segunda parte da reunião, que ocorre às quarta-feiras no 20 andar do BC, ainda é um segredo escondido a sete chaves – nunca foi fotografada.

Objetivos do Copom

Implementar a política monetária, definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o “relatório de inflação”. Por lei, estes são os objetivos do Copom. Criado em 20 de junho de 1996, o comitê reúne-se oito vezes ao ano. Desde 21 de junho de 1999, com a implantação das metas para inflação, as decisões do Copom passaram a ter como objetivo cumprir as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Reuniões e integrantes

Os encontros do Copom acontecem em dois dias: a primeira reunião às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito ao ano a partir de 2006.

Diretores do Banco Central debatem cenário econômico sob
Fellipe Bryan/iG
Diretores do Banco Central debatem cenário econômico sob "olhar" de obra de Portinari: presidente Henrique Meirelles (na ponta da mesa) comanda a 153ª reunião do Copom

Fazem parte do Copom o presidente do Banco Central, os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

No primeiro dia do encontro, também participam da sessão os chefes de cinco departamentos do Banco Central e o chefe da Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin). Também integram a primeira sessão três consultores e o secretário-executivo da Diretoria, o assessor de imprensa, o assessor especial e, sempre que convocados, outros chefes de departamento convidados a discorrer sobre assuntos de suas áreas.

Os chefes de departamento e o gerente-executivo apresentam uma análise da conjuntura econômica doméstica, com números sobre inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

Ata do Copom

No segundo dia da reunião – que conta apenas com a participação dos membros fixos do Copom e do chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) -, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica apresentam alternativas para a taxa de juros e fazem recomendações sobre a política monetária.

Em seguida, os demais membros do Copom fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas. Ao final, é realizada a votação das propostas, com a definição da meta para a taxa Selic e o viés, quando houver.

As atas do encontro são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana posterior a cada reunião.

A cada trimestre (nos meses de março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica o Relatório de Inflação, com uma análise da conjuntura econômica e financeira do País, e apresenta suas projeções para a taxa de inflação.

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