Veja a sala do Banco Central onde se definem os rumos da inflação

Do oitavo andar do prédio do BC, em Brasília, membros do Copom iniciam reunião sobre a taxa de juros

iG São Paulo | 01/09/2010 20:39

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As reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decidem os rumos da inflação e o crescimento da economia brasileira, são secretas. Ninguém, além dos membros do Copom, pode acompanhar os encontros realizados por dois dias em duas salas diferentes na sede do BC, em Brasília.

Mas a primeira parte da reunião, ocorrida na terça-feira, recebeu um novo “integrante”: um painel de cinco metros de altura e quadro de largura, pesando quase 400 quilos, de autoria de Cândido Portinari. O painel conhecido como “Descobrimento do Brasil”, concluído por Portinari em 1955 para o Banco Português do Brasil, é considerado a obra mais valiosa do acervo do BC.

O adereço, que ficou um ano exposto na Galeria de arte da instituição em Brasília, ficará exposto na parede da sala do oitavo andar da sala de reuniões do Copom onde os dirigentes do BC começam a decidir a taxa básica de juros – a Selic, que baliza as taxas de juros praticadas pelo mercado. A sala da segunda parte da reunião, que ocorre às quarta-feiras no 20 andar do BC, ainda é um segredo escondido a sete chaves – nunca foi fotografada.

Objetivos do Copom

Implementar a política monetária, definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o “relatório de inflação”. Por lei, estes são os objetivos do Copom. Criado em 20 de junho de 1996, o comitê reúne-se oito vezes ao ano. Desde 21 de junho de 1999, com a implantação das metas para inflação, as decisões do Copom passaram a ter como objetivo cumprir as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Reuniões e integrantes

Os encontros do Copom acontecem em dois dias: a primeira reunião às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito ao ano a partir de 2006.

Foto: Fellipe Bryan/iG

Diretores do Banco Central debatem cenário econômico sob "olhar" de obra de Portinari: presidente Henrique Meirelles (na ponta da mesa) comanda a 153ª reunião do Copom

Fazem parte do Copom o presidente do Banco Central, os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

No primeiro dia do encontro, também participam da sessão os chefes de cinco departamentos do Banco Central e o chefe da Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin). Também integram a primeira sessão três consultores e o secretário-executivo da Diretoria, o assessor de imprensa, o assessor especial e, sempre que convocados, outros chefes de departamento convidados a discorrer sobre assuntos de suas áreas.

Os chefes de departamento e o gerente-executivo apresentam uma análise da conjuntura econômica doméstica, com números sobre inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

Ata do Copom

No segundo dia da reunião – que conta apenas com a participação dos membros fixos do Copom e do chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) -, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica apresentam alternativas para a taxa de juros e fazem recomendações sobre a política monetária.

Em seguida, os demais membros do Copom fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas. Ao final, é realizada a votação das propostas, com a definição da meta para a taxa Selic e o viés, quando houver.

As atas do encontro são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana posterior a cada reunião.

A cada trimestre (nos meses de março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica o Relatório de Inflação, com uma análise da conjuntura econômica e financeira do País, e apresenta suas projeções para a taxa de inflação.

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    25 Comentários |

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    • Francisco Gomes | 03/09/2010 11:49

      Há muitas discussões no Brasil, em particular, e na América latina em geral, sobre a independência dos bancos centrais. Sobre o assunto tenho refletido bastante nesses últimos 20 anos. Nosso BACEN é relativamente jovem mas não infante, se comparado no âmbito sulamericano. A Argentina, recentemente, teve defenestrado o presidente do seu banco central "independente" pela Presidenta Cristina Kirchner, e parece, com razão. O outgoing presidente foi a Suprema Corte contra a Presidenta da República, algo inimaginável em país com maior maturidade política. Aqui nos inserimos apesar dos avanços civilizatórios na política contemporânea. A reflexão que faço é que a verdadeira independência do nosso BACEN se dará com o estabelecimento do sistema parlamentarista de governo, algo ainda difícil de deglutir em democracias no Brasil e na América latina. EUA é a exceção, honrosa por sinal.

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    • Pedro Robles | 02/09/2010 16:01

      Sala de reunião do Copom, pessoas felizes, ricas, com altos salários, podendo pagar até R$ 50,00 (Cinquenta reais) por litro de gasolina quando vão abastecer seus "Fusquinhas", não lhes farão falta alguma, indo a um restaurante e podendo pagar R$ 1.000,00 (Um mil reais) em uma única refeição, não lhes farão falta alguma, porém são desconhecedores do drama real e cruel que se abate sobre 70% ou 80% da população brasileira, da falta de moradia, do sub-emprego, do trabalho fatigante dos pobres, do fator previdenciário criado para que as pessoas se aposentem quando estiverem próximos à morte e tirando a oportunidade de milhões de jovens que estão querendo entrar no mercadode trabalho , paremos por aqui.!!!!!

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    • jose de ribamar da costa silva | 02/09/2010 14:52

      aceito todos comentários sobre o COPOM e seus seus Membros, e desde já proponho que seus salários fossem no máximo dez (1) salários mínimo, para sentirem a realidade da fatia maior da sociedade brasileira afogada no mar dos juros altos.

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    • Miguel | 02/09/2010 14:22

      Henrique Meireles um dos grandes responsáveis pela estabilidade econômica atual nesse pais que não foi afetada pela crise e apenas passamos por uma maro-linha que o diga a Grécia ! Esses nobres senhores merecem respeito, afinal estão sentados na mesa técnicos especializados como Henrique Meireles e não mais políticos indicados por questões obscuras como acontecia nesse Brasil a 20 anos atras ! A questão não e apenas baixar o juros como as mentes mais simplistas acreditam ! Baixando o juros de forma simplista aumentamos o consumo de forma irregular voltando a inflação ! Por isso o juros e um instrumento fortíssimo para o controle da inflação ainda bem que Henrique Meireles comanda essa mesa sem ele agente tava frito !

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      luis cercas | 20/10/2010 20:31

      Cuidado é preciso muito cuidado porque nem tudo o que luz é ouro, cuidado que neste momento ja ascende a mais de 200 biliões de $R em credito parado, tudo este crescimento pode ser uma grande cilada. A Europa e os EUA têm outros recursos e outros lobies por isso estão a investir no Brasil e não são para ficar, especulam ganham e se vão. EU estou preparado para não me enganar

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    • pagani | 02/09/2010 14:12

      ta tudo bem q os juros fiquem a onde estao, porem qdo o pais vai repassar tambem para o consumidor estes tais juros . em qualquer lugar paga-se muito mais. aplica na poupança pra ver. entao senhores do copom se para chegar ao povo um juro menor, voces tem q decidir ai a pelo menos 1,5% ao ano ..valeu

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    • Mauricio | 02/09/2010 12:37

      Em um pais onde se arrecadou em impostos 1 TRILHÃO de reais em 2009 e pretende arrecadar 3 TRILHÕES em 2010 (já foram arrecadados 2 TRI... ate agosto) uma duzia de "Poderosos" mais seus "assessores" se reunirem 8 vezes por ano (isso mesmo 8 vezes), imagino o que deve dar debater toda essa gende em apenas 8 reuniões no ano!!!
      Só mesmo neste pais, com a maior carga tributária, os maiores juros, e consequentimente os Banqueiros mais ricos do mundo... lamentavel.

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    • MÁRCIO MOREL DE SOUZA | 02/09/2010 12:18

      Tecnocratas com poder emanado dos manipuladores da economia, o presidente Meireles, representa os bastidores do verdadeiro ditame da nosssa economia, fez carreira, é um deles, os banqueiros. Aí surtam os juros dos cartões de crédito, cheque especial, financiamentos e etc. Nada a ver com os verdadeiros números da economia que deveriam orientar esses homens. Abusam da nossa capacidade de carregar os fardos da usura. Desde o nosso descobrimento somos explorados assim, Daí o sorriso estampado nas faces desses senhores. Eles desconhecem os juros e nem os impostos do povo. Este é o grande legado lusitano.

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      Leonardo | 02/09/2010 17:37

      Sinceramente, voce está equivocado.

      É verdade, que baixar os juros a niveis baixos, aumentaria o "poder de compra" do brasileiro em geral, e também ajudaria em uma serie de investimentos (também ajudaria, obviamente, esses Manipuladores/Poderosos/etc. em seus investimentos).
      O fato é que o país assinala: não há capacidade produtiva para sustentar um aumento de consumo que isso geraria. A consequencia? Inflanção alta (ou altíssima).
      Infelizmente, voce deveria reclamar com a política econômica do seu governo, que entre os "paises em desenvolvimento" é um dos que menos investe em infra-estrutura e crescimento, proporcionalmente ao PIB.

      E agora, voce sabe com quem você vai reclamar?

      Nao existem santos aqui na terra, muito menos no governo, de nenhum lado, mesmo no que voce escolheu para apoiar. Só te digo que a China, investe proporcionalmente quase 3x o que o Brasil faz. Não há motivos para reclamar que nao crescemos como eles. Você colhe o que planta.

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    • Kassio | 02/09/2010 11:30

      Se nesta vida existe alguma justiça divina, se Deus é quem decide tudo, acredito que não devo nem me preocupar. Mais pera ai vivemos realidade humana como fome, pobreza, injustiça, roubo e etc..., como ficar calmo em saber que pessoas estão sentadas para decidir algo que tanto nos prejudica que Deus tire essa fúria que sentimos de tanta injustiça, éssa vontade de fazer justiça com nossas mãos.

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