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Vazamento adia produção das petroleiras, revela Richard Newell

Diretor-geral da agência de planejamento energético dos EUA diz que há espaço para o etanol brasileiro na matriz americana

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Cláudio Ferreira
Newell afirma que desastre da BP levará à revisão de planos para o setor petroleiro
Companhias de petróleo que pretendem iniciar a produção no mar do Golfo do México no próximo ano podem começar a refazer seus planos. O adiamento da extração de óleo na região é um dos desdobramentos da paralisação das atividades exploratórias que o governo americano estabeleceu após o acidente que ainda faz jorrar óleo no oceano. O diretor-geral do órgão de planejamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos, Richard Newell, confirma que os projetos das petroleiras serão afetados, mas pondera que o impacto atual na produção total do país é muito pequeno.

Cerca de 80 mil barris por dia deixam de ser produzidos com a interrupção das atividades na costa americana, confirma Newell. "É uma fração extremamente pequena em termos da produção dos EUA. Imagino que seja de apenas 0,1% da produção global", antecipa.

Em visita ao Brasil para participar da IAEE'S Rio 2010 International Conference (Conferência internacional da Associação Internacional para a Economia da Energia), Newell vai detalhar o relatório que coloca o Brasil, na próxima década, entre os maiores produtores de petróleo das nações que não fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O americano comanda a Administração da Informação da Energia (EIA), agência responsável por estudos que servem como referência mundial para o setor.

No relatório divulgado em 25 de maio, a EIA projeta que Brasil, Rússia e Cazaquistão lideram crescimento de países fora da Opep. A produção brasileira, segundo o documento, crescerá de 2 milhões de barris diários para mais de 5 milhões de barris por dia em 2035, por causa das descobertas do pré-sal. Para Newell, um dos principais desafios do Brasil com o salto será administrar as receitas provenientes do petróleo.

O relatório destaca ainda o aumento do consumo de energia por países emergentes, que também passarão a responder por uma parcela maior de emissão de gás carbônico nas próximas décadas. O documento mostra o crescimento das fontes renováveis de energia na matriz energética, mas aponta também maior procura por fontes poluentes como carvão. Sem mudanças na condução do planejamento energético, os combustíveis fósseis, mais poluentes, responderão por 80% do consumo de energia do planeta em 2035.

Para este ano, porém, a EIA revisou para baixo a projeção de crescimento da produção brasileira, assim como a de outros países fora da Opep. O corte na estimativa de produção de nações que não integram o cartel é de 160 mil barris. Outra razão para a redução na oferta mundial de petróleo é a paralisação das atividades em águas profundas no Golfo do México.

O governo americano proibiu novas perfurações de poços na região até novembro. Antes de começar a produzir petróleo, as empresas precisam concluir etapas de exploração que incluem a perfuração de poços de petróleo. Entre as grandes companhias que atuam na região está a Petrobras, que possui cerca de 250 blocos no Golfo. "Os seis meses de moratória são para perfuração. Basicamente toda perfuração teve que ser parada no Golfo", afirma. Os reflexos  começam a ser sentidos na produção atual, com uma redução estimada em 26 mil barris no último trimestre do ano, segundo afirma o especialista com base em estudo divulgado nesta terça-feira com projeções de curto prazo.

Durante o período de moratória, uma comissão criada pelo governo americano vai avaliar o setor e elaborar medidas para evitar vazamentos. Até lá, segundo Newell, não será possível avaliar o que acontecerá com o futuro da indústria petrolífera nos EUA. "No longo prazo, os impactos deste acidente continuarão desconhecidos, até que conheçamos as implicações das decisóes da comissão do presidente Obama", afirma. 

A EIA projeta um aumento de 1,5 bilhão de barris diários no consumo de petróleo bruto e combustíveis líquidos no mundo em 2010, enquanto a oferta crescerá 500 mil barris por dia, segundo as estimativas. 

Etanol brasileiro tem espaço nos EUA

Cláudio Ferreira
Newell aponta preço como entrave à expansão do etanol brasileiro nos Estados Unidos
Para reduzir o consumo de fontes poluentes, os Estados Unidos estabeleceram metas de consumo  de biocombustíveis. Richard Newell afirma que, diante disso, há espaço para o etanol brasileiro no país. "Os Estados Unidos vão consumir um grande volume de biocombustíveis. Nós vemos algum aumento nas importações de etanol e parte dessa importação pode ser feita com etanol de cana-de-açúcar do Brasil". No mundo, o consumo de biocombustíveis deve saltar de 1 milhão de barris em 2007, para mais de 4 milhões em 2035, segundo ele. "Isso está vindo de Brasil, EUA e um pouco, em menor nível, de países como China", acrescenta.

O custo estimado de exportação do etanol brasileiro, segundo ele, pode ser impactado pelos gastos com transporte. "A questão é saber se os preços do frete são competitivos". Houve, segundo ele, ganhos de eficiência no Brasil, mas ainda há um "caminho a se percorrer".

Segundo ele, a tarifa de importação do combustível nos EUA, alvo de críticas de produtores brasileiros, foi criada para não permitir excesso de importações, já que os EUA criaram incentivos para a mistura de etanol na gasolina. Mas, passado o incentivo, a alíquota poderá ser revisada. "Criaram primeiro subsídio para misturar etanol na gasolina e, para não estimular importação, criaram tarifa. Eu e minha agência não tomamos posições políticas, não fazemos juízo de valor".
 

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