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Varejo teve pior natal desde 2003

A restrição de crédito e a desconfiança dos consumidores diante da crise internacional levaram o comércio varejista a apresentar em dezembro o pior resultado em cinco anos. A expansão de 3,9% ante igual mês de 2007 foi a menor para o mês do Natal desde 2003.

Agência Estado |

Em relação a novembro, houve recuo de 0,3%. No acumulado de 2008, a alta foi de 9,1%, pouco menos do que em 2007 (9,7%).

Para o técnico da coordenação de comércio e serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira, os resultados das vendas no último trimestre de 2008 mostraram "evidências dos efeitos da crise sobre o setor". Ele destacou que o resultado em dezembro ante novembro foi o terceiro dado negativo consecutivo ante mês anterior.

Além disso, o varejo apresentou aumento de 6% no quarto trimestre ante igual período do ano anterior, bem inferior às altas apuradas no terceiro trimestre (10,2%); no segundo trimestre (9,3%) e no primeiro trimestre (11,8%). Em relação ao terceiro trimestre de 2008, houve recuo de 0,7%, a primeira queda ante trimestre anterior desde o segundo trimestre de 2003.

Segundo Pereira, a desaceleração no último trimestre foi puxada por atividades vinculadas ao crédito e impediu um aumento de dois dígitos no resultado de 2008, que de janeiro a setembro atingia 10,4% e, no fechamento do ano, reduziu o ritmo a 9,1%. De acordo com ele, além da restrição de crédito, principal canal de contaminação da crise no Brasil, a falta de confiança do consumidor, com medo de se endividar e perder o emprego, também afetou o varejo no último trimestre.

A principal desaceleração do terceiro para o quarto trimestre ocorreu nos dois segmentos mais dependentes do crédito - móveis e eletrodomésticos (de 17,9% para 7,7%) - e, sobretudo, em veículos, motos, partes e peças (de alta de 18% para queda de 10,8%).

A analista da Tendências Consultoria Mariana Oliveira também avalia que a deterioração das condições de crédito e a desconfiança dos consumidores foram os principais responsáveis pela "forte redução do crescimento" do varejo em dezembro. "O movimento mostrou-se em linha com o cenário de redução do ímpeto de crescimento como consequência da contaminação da economia brasileira pela crise mundial."
PERSPECTIVAS
O cenário para 2009 não parece muito promissor, segundo economistas. Segundo Pereira, a partir de janeiro os resultados vão depender de preços dos produtos, crédito e desempenho do mercado de trabalho. Já Mariana Oliveira espera continuidade do processo de desaceleração dos resultados do setor e avalia que, em 2009, o crescimento acumulado não ultrapassará 3,1%. O economista da Itaú Securities Luiz Cherman também acredita que as vendas do varejo deverão continuar em queda no início deste ano, com a expectativa de aumento do desemprego e a perspectiva de redução da oferta de crédito.

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