RIO - O cenário anterior ao agravamento da crise internacional não deixou incólume o setor varejista brasileiro. Entre os dez segmentos pesquisados pelo IBGE, sete diminuíram o ritmo de crescimento ou tiveram queda no volume de vendas em julho e agosto no varejo ampliado.

"Não há dúvida de que os agentes econômicos, em termos de precaução, já começaram a mexer nas taxas de juros e se tornaram mais seletivos na concessão de crédito. Certamente atingiram aquelas atividades mais ligadas ao crédito", afirmou Nilo Lopes de Macedo, coordenador de Comércio do IBGE.

Macedo apresentou dados do BC que mostram que, entre julho e agosto, o custo médio do crédito pessoal passou de 53,59% ao ano para 54,49% ao ano, enquanto o cheque especial deu um salto de 162,65% ao ano para 166,39% ao ano. Já o custo do financiamento para aquisição de bens subiu de 36,24% ao ano em julho para 36,30% ao ano em agosto.

O técnico do IBGE fez questão de frisar que o quadro de piora entre julho e agosto aconteceu a despeito do resultado de 1,1% de alta no comércio varejista. Segundo ele, essa alta foi puxada por "hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo" que subiu 1,1%. Só "hiper e supermercados" avançaram 1,7% entre julho e agosto, beneficiados pela queda nos preços dos alimentos.

Quando se passa para o comércio varejista ampliado, que inclui veículos e material de construção, o resultado global passa para uma queda em agosto de 1,6% após elevação de 0,3% em julho. Só os veículos caíram 3,7% em agosto, enquanto o material de construção teve baixa de 1,6%.

O comércio varejista desacelerou de 11,3% na comparação julho deste ano com mesmo mês de 2007 para 9,8% na relação agosto de 2008 com o oitavo mês do calendário passado. No comércio varejista ampliado, a redução no ritmo de avanço foi mais acentuada, de 16,3% para 7%.

Macedo acredita que o efeito da crise deve se mostrar mais intenso nas próximas pesquisas, com impacto principalmente sobre setores dependentes do crédito e do dólar baixo.

"Com o agravamento da crise, principalmente na parte do crédito e dos produtos importados, que vão se tornar mais caros em função da taxa cambial, acredito que o quadro será um pouco pior do que está sendo agora em agosto", frisou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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