Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação afetou o desempenho do principal segmento varejista do país, mas não o suficiente para impedir que o comércio brasileiro, como um todo, batesse novo recorde de vendas na primeira metade do ano.

'Se não fosse o efeito inflacionário provocado pelos alimentos, o resultado do comércio poderia ter sido ainda melhor', disse a jornalistas o técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira, ao comentar os resultados do setor de varejo no primeiro semestre.

De acordo com os dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, as vendas do setor cresceram 1,3 por cento entre maio e junho, o que garantiu um salto de 10,6 por cento nas vendas do primeiro semestre, o melhor resultado já registrado pelo instituto desde 2001, quando foi iniciada a série histórica.

O segmento de Super e hipermercados registrou um aumento nas vendas de 5,9 por cento no período, impacto pela alta dos preços dos alimentos. O segmento é a principal atividade na formação do índice de vendas do setor varejista, lembrou Pereira.

Segundo o técnico, a desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em julho abre um perspectiva positiva para o comércio nos próximos meses.

'A inflação caindo poderá no futuro próximo melhorar os resultados dos supermercados e, consequentemente, do comércio varejista brasileiro', disse.

Essa boa notícia para o setor varejista pode ser mais um problema para o Banco Central, que vem lutando para trazer a inflação de volta ao patamar de 4,5 por cento já em 2009.

Desde abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a taxa básica de juro do país, a Selic, de 11,25 por cento para 13 por cento, na tentativa de garantir a volta do IPCA para o centro da meta de inflação definida pelo governo.

RECEITA COMPENSA

O efeito negativo da inflação sobre o volume de vendas acabou gerando um efeito positivo na receita nominal do setor, que avançou 15,9 por cento na primeira metade do ano.

'Eles estão ampliando a receita via aumento de preços por conta da inflação mais alta nos últimos meses', frisou Pereira.

Para o técnico do IBGE, a conjutura econômica favorável contribuiu para o resultado recorde no primeiro semestre do ano. 'Há duas variáveis importante para o comércio: renda e crédito. Como essas variáveis ainda estão fortes, elas proporcionam um gás para o consumidor manter as compras', afirmou Pereira.

As vendas do comércio em São Paulo, principal região do país, cresceram acima da média nacional ao encerrar o semestre com alta de 14,3 por cento. O desempenho ficou atrás apenas do Rio Grande do Norte, que registrou um aumento de 15,9 por cento nas vendas do período.

(Edição de Renato Andrade)

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